Comentário da Semana: Parashat Vayechi

Ariel Gomes

Ariel Gomes

Parashat Vaiechi

Na parashá desta semana aprendemos sobre os últimos momentos da vida de Yaacob Abinu. O que salta aos nossos olhos e ouvidos é a sua preocupação com a continuidade dos ensinamentos que lhe foram transmitidos por seu pai e por seu avô, que eram ao mesmo tempo seus rabinos, seus mestres.

Ele olhou à sua volta e viu um Egito cheio de atrativos, cheio de oportunidades para uma vida longe dos princípios fundamentados na Torá. Sim, porque mesmo cientes do fato de que a Torá ainda não houvera sido outorgada, como veio a acontecer na data que comemoramos Shavuot, a tradição nos ensina que os pais já conheciam sim a Torá e já viviam de acordo com seus princípios. Pois bem. Yaacob percebe o perigo que seus filhos e netos, seus alunos, estavam a correr. E qual foi sua atitude?

Já doente, sabendo que seus dias estavam no fim, ele recebe a visita de seu filho Yosef que trazia consigo seus dois filhos, Efraim e Menashé. Estes dois netos devem ser nesse momento a maior preocupação de Yaacob, afinal de contas são os dois netos da Galut, por assim dizer, netos também de um sacerdote egípcio. Como pode haver algum judaismo nesses meninos? Como garantir que eles o tenham?

Num relato que nos toca tanto pelo esforço de Yaacob para parecer forte na frente de seu filho e netos – o que já renderia uma comentário completo só sobre este fato – quanto pela decisão que ele toma em relação aos garotos, aprendemos sobre a importância de agirmos em prol da continuidade do Judaismo. Yaacob não abençoa simplesmente seus netos. Ele vai além. Ele os toma para si e eles se tornam seus filhos. Assim, qualquer laço que os dois pudessem ter com a idolatria é quebrado. Ora, eles eram seus netos. Que necessidade havia de adotá-los como filhos, senão algo radical que representasse uma ruptura com aquilo que era contra a Torá? Não temos dúvida de que Yosef ensinara bem seus filhos, mas algo incomodava Yaacob e ele não pestanejou. Não é atoa que abençoamos nossos filhos com a benção que diz: “D-us te faça como a Efraim e Menashé”.

Sentindo que sua hora chegava, Yaacob reune seus filhos e os abençoa. Cada um com sua benção e ensinamento. Cada um com sua responsabilidade como parte do povo de Israel. Essas bençãos ecoam a nós até hoje. Não é por acaso que o povo de Israel alcançou tanto, mesmo sendo uma pequena porção da humanidade. Yaacob, como profeta que era, não só abençoou seus filhos como viu o que o povo judeu atingiria no futuro, pelas bençãos do Eterno sobre Seu povo.

O Rabino Mark Angel, em seu comentário sobre esta parashá, enfatiza uma prece que Yaacob faz durante suas bençãos. Ele acabara de abençoar Dan e fala algo que soa como um clamor: “Espero por Tua salvação, ó Senhor! (Bereshit 49:18). Não se pode negar que a salvação, a manutenção, a continuidade do povo judeu estão em sua fidelidade à Torá, ao Eterno. David retoma esse tema no salmo número 3 em que ele diz: “A salvação vem do Eterno; que sobre Teu povo recaia Tua benção. (v.9)

Que possamos nos unir nas bençãos de Yaacob Abinu, lembrando que cumprir a Torá é observá-la em seu espírito e não simplesmente seguindo as normas, que são sagradas e importantíssimas, mas que certamente trazem consigo um significado profundo que nos torna melhores, nos torna verdadeiros judeus. Que o Eterno faça a nós como a Efraim e a Menashé!

Shabat Shalom!

Fontes: Jewish Ideals and Ideas bY Rabbi Mark Angel

Salmos – hebraico e português – Ed. Sêfer

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