Comentário da Semana: Parashát Bo

Mauro Brachmans

Mauro Brachmans

PARASHÁ BÓ – “VAI” ( AO FARAÓ )

A Parashá Bó aborda as três últimas pragas impostas aos egípcios, até que o Faraó concordasse em permitir ao povo judeu ir ao deserto servir ao Eterno. Da mesma forma como nas sete anteriores, a princípio o Faraó autorizara para em seguida voltar atrás, apesar dos apelos de seus conselheiros, que diziam: “…não percebes que o Egito está perdido?”.
A oitava praga foi uma nuvem de gafanhotos, como jamais se vira antes ou se veria depois. Eles destruíram todo o verde que restara da chuva de granizo. O simbolismo desse castigo remonta às árvores que os hebreus foram obrigados a plantar, sem, contudo, ter o direito a comer de seus frutos. Um aspecto muito importante desse momento é que o Faraó chegara a conceder a permissão, mas apenas aos homens – que assim, representariam todo o povo. A razão seria que, sem as mulheres, havia a garantia de que os homens retornariam. Mas uma lição fundamental do que é o judaísmo então teve lugar: quando temos uma obrigação religiosa, todo o povo dela compartilha. Todos, sem exceção, jovens e velhos, homens e mulheres, formamos uma única comunidade.
A nona praga foram três dias de total escuridão. Segundo o Midrash, escuridão física e espiritual. “Não viu nenhum homem a seu irmão e não se levantou nenhum homem de seu lugar por três dias”. Nada se enxergava com os olhos e também ninguém enxergava o outro como pessoa, e nem se levantava para ajudar a quem quer que fosse: só se pensava em si próprio. A ilação dessa praga com os maus-tratos impostos ao povo hebreu foram as injustas condenações à escuridão dos calabouços.
Finalmente, a décima e última praga: a morte dos primogênitos, como expiação pelo pecado de terem obrigado jogar ao Nilo os primogênitos hebreus. Todo primogênito, sem exceção, pobre ou rico, inclusive dos animais, foram mortos pelo anjo do Eterno. Da mesma forma como todo o povo judeu foi poupado das pragas anteriores, também dessa última, assim como os nossos animais.
A décima praga marca o início da celebração do Pessach, quando o Eterno nos ordenou sacrificar cordeiros e aspergir o seu sangue em nossas portas para que o Anjo da Morte as pulasse. E o Eterno também nos orientou a como celebrar o Pessach, daí em diante. Em especial, a proibição de comer qualquer alimento fermentado por sete dias.
Passamos 430 anos no Egito, metade dos quais na condição de escravos. O Eterno determinou esse mês – Nissan – como o primeiro dos meses do ano ( apesar de, pela tradição, o mundo ter sido criado no primeiro dia do mês de Tishrê ). Nossos sábios explicam que a conquista da liberdade marca o início de nossa vida como povo. E, para sempre, o nosso espírito.
Shabat Shalom!
Mauro Brachmans

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