Relações entre Brasil e Israel devem ir além do comércio

A corrente de comércio entre Brasil e Israel totalizou no ano passado US$ 1,5 bilhão. Comparativamente a outros países, esse montante não é muito, mas, segundo o diretor da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, Abram Berland, “muita coisa que Israel exporta para o Brasil não é traduzida em números porque é tecnologia, e são detalhes que não são exportação de produtos que acabam sendo importantes para o desenvolvimento tecnológico”.

Estes equipamentos eletrônicos, coloca o diretor, são fundamentalmente aparelhos de comunicação, softwares e hardwares “Israel tem uma sociedade com a Embraer, fornece tecnologia de segurança para o Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro, e tem empresas como concorrentes para a segurança geral da Olimpíada [2016]”. Ele completa que “uma boa parte da telefonia brasileira trabalha com softwares de Israel”.

Sobe a questão tecnológica, Berland coloca que esse pode ser o ponto-chave para que a relação entre os dois países fique mais próxima. Israel tem o segundo maior número de start-ups do mundo; para ele, o País poderia usar um modelo israelense de construção de empresa dentro de universidades e centros de pesquisa para transformar ideias em negócios.

“A primeira coisa que talvez valesse a pena desenvolver é as universidades, os centros de pesquisa brasileiros irem a Israel e visitarem essas empresas para saber como criar nas universidades, que estão em primeiro lugar como grandes centros geradores de novas ideias.”

Ele complementa dizendo que, “se existir uma estrutura ligada e que seja montada para isso e que aproveite o know-how que tem em Israel, pode ser positivo porque podem ter muitas ideias que são vindas das universidades brasileiras se transformando em novas start-ups; o que acontece muitas vezes é que alguém desenvolve uma coisa e não sabe levar isso adiante. Cientista é uma coisa, empresário é outra”, disse.

Para o diretor, também é importante mencionar que há uma diferença cultural na maneira que os brasileiros e os israelenses lidam com o início dos negócios: “Ali você faz uma start-up, e se não dá certo você parte para outra: o fracasso é entendido como aprendizado; aqui o fracasso é punido mais severamente”, disse.

O diretor colocou que não é possível uma mudança cultural de uma hora para outra, mas acrescenta: “Um dos grandes trunfos de Israel é ser um país pequeno com poucos recursos naturais, e a grande virada foi pensar: O que nós podemos desenvolver? Vamos desenvolver tecnologia, vamos desenvolver ciência, vamos desenvolver aqui o que está dentro de nossas condições. Na cultura judaica a primeira coisa que um pai e uma mãe dão para seu filho, depois de roupa e alimento, é educação”.

O Brasil, segundo o especialista, deve mudar o tipo de estratégia para entrar no mercado israelense; sempre que um empresário montar uma empresa, ele deve pensar em vender globalmente: “Não pense pequeno, não pense em vender seu produto ao seu vizinho, pense em vender ao seu vizinho e para o vizinho que está do outro lado da terra”, colocou.

Diretor da Câmara acredita que é possível a aprendizagem de empresários brasileiros com modelos já adotados pela nação do Oriente Médio

Além disso, ele sugere duas formas de entrada das empresas brasileiras em Israel. A primeira é o chamado scale up: “Algumas ideias que podem ser desenvolvidas lá, vem para cá e aqui e podem ser produzidas em larga escala para o mercado interno”.

A segunda forma que Berland indica para os brasileiros que querem entrar em Israel é o investimento nessas start-ups: “Essas empresas que têm tecnologia e eventualmente podem se tornar grandes empresas, elas estão sempre em busca de recursos para seus investimentos, então elas têm recursos do mundo inteiro, do Brasil particularmente têm muito pouco e aí pode haver investimentos brasileiros”.

Produtos e paz

Sobre os itens importados de Israel pelo Brasil, o representante da Câmara coloca que a maioria se concentra em insumos para a agricultura, como defensivos e fertilizantes, já que a região do Mar Morto é uma fonte de sais para a produção desses itens. Já o Brasil exporta para o país principalmente carnes, suco de laranja e açúcar de cana.

A Câmara não comenta questões políticas, mas, segundo o diretor, a paz seria muito importante para Israel na questão comercial: “No dia que tiver a paz o comércio entre o Brasil e o Oriente Médio se multiplicará por dez, por 100”, concluiu.

Via Panorama Brasil

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s