Comentário da semana: Parashat Mishpatim

Ariel Gomes

Ariel Gomes


A parashá desta semana tem o título de Mishpatim. Um termo que pode ser traduzido como “ordenanças” ou “leis”. O texto da parashá trata das leis referentes ao comportamento humano diante da sociedade, ou seja, do outro. É importante lembrar que a parashá anterior, Itrô, nos trouxe o texto das Dez Palavras, ou dos Dez Mandamentos. Como nosso querido Marcos Wanderley salientou em seu comentário, há mandamentos, naquela Sidrá, para nossa relação com o Altíssimo e mandamentos para nossa relação com o próximo. Na porção desta semana, a supramencionada Mishpatim, o texto da Torá elabora mais sobre a relação do ser humano com o seu semelhante, inclusive como devem ser feitas as punições por crimes cometidos contra outrem e como devemos nos comportar para com os necessitados.

Temos diante de nós um texto que influenciou a história do Ocidente. Uma luz que como o sol se manifesta no oriente e ilumina um mundo que – apesar das reflexões filosóficas que, diga-se de passagem, se restringiam às classes dominantes gregas e romanas – vivia em trevas seguindo leis impostam pelos caprichos de seus monarcas e pela voz das espadas de seus generais. Não há como negar, nas leis universais que se propagam nos dias de hoje, a origem nos princípios da Torá de respeito (apesar da Torá ir além do respeito, obviamente) ao próximo, a valorização da justiça, os direitos humanos e, acima de tudo, a dignidade humana. Não alcançamos uma sociedade perfeita. No entanto, não chegamos lá ainda por nossa responsabilidade, ou pela falta da mesma. O ensino, em seu espírito, está aí claro e perene para quem quiser dele usufruir.

A essência de Mishpatim deve nortear nossas atitudes que, pela falta de um termo melhor, chamamos de religiosas, mas que podem ser políticas e/ou humanitárias. Uma das maiores personalidades rabínicas norte-americanas do final do século 19 e início do vigésimo, o Rabino Dr. Henry Pereira Mendes da Congreagação Shearith Israel, uma vez disse o seguinte: “A Democracia é a forma ideal de governo, mas precisa de cidadãos ideais”. Os valores democráticos estão claramente enraizados em Mishpatim, mas eles precisam de nós para serem realizados.

Que estejamos sempre engajados nos valores de Mishpatim e de toda a essência da Torá. Os valores de Tikun Olam.
Shabat Shalom!

Ariel Gomes

Fontes: Institute for Ideas and Ideals (www.jewishideas.org) Rabbi Marc D Angel

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