Conheça o novo Rabino da SIB: Entrevista com Uri Lam

Rabino Uri Lam

Desde quarta-feira já está em Salvador o novo Rabino da SIB, Uri Lam
Antes de vir porém, ele respondeu algumas perguntas do SIB e-News.

A entrevista vocês conferem abaixo

SIB e-News: Quem é Uri Lam?

Rabino Uri Lam: Eu nasci em São Paulo há 43 anos e alguns meses. Paulistano da gema. Solteiro (ainda), tenho uma irmã e um irmão, ambos casados e que me deram três lindos sobrinhos: da minha irmã Ana Ruth e do meu cunhado Victor, tenho a Rachel e o Eli. Da parte do meu irmão Igal e da minha cunhada Fernanda, tenho a Maia. Meus pais Henrique e Lea vivem também em São Paulo.

Minha família veio da Bessarábia (na época, parte da Romênia) e da Polônia para São Paulo, fugindo da perseguição nazista. A família Lam vem da cidade de Hotin, na Bessarábia. Meus dois avôs vieram de shteiteles, cidadezinhas na Romênia, minhas duas avós vieram da Polônia: minha avó materna nasceu em Staszow e minha avó paterna era de Ostrolenka, da família Cukierkorn. Do lado dos Cukierkorn há outros dois rabinos reformistas na família: Jacques e Celso, brasileiros naturalizados americanos, vivem atualmente nos EUA.

Se participei de movimento juvenil? Sim, desde os sete anos de idade fui do Ichud Habonim. Quando era tzofê novo, aos 9 anos se não me engano, participei da messibá, da cerimônia festiva de união entre o Habonim e o Dror, formando o nosso querido Dror Habonim ou Habonim Dror, cada um fala de um jeito! O Habonim sempre foi a minha tnuá do coração. Fui chanich dos 7 aos 14 anos no Habonim. Tive uma breve passagem pela Chazit Hanoar, aos 15 anos. Já em idade pré universitária, participei do movimento Iedid, da Bnai Brith e fui o representante dos jovens na Comissão de Direitos Humanos da instituição. Entre os 18 e os 21 anos fui madrich e mazkir (coordenador) do movimento juvenil Yitav, fundado por mim e por alguns amigos após uma viagem para Israel. Nossas atividades aconteciam na sede da WIZO de São Paulo. Chegamos a ter mais de 80 chanichim! Foram anos muito significativos.

Por formação iniciei a faculdade de Economia na USP, mas após dois anos decidi imigrar para Israel, onde fiquei no final por um ano. Lá fiz meu ulpan de hebraico e estudei por 6 meses na Universidade Hebraica de Jerusalém, num curso pré universitário para estrangeiros. Lá me tornei grande amigo de Pedro Kislansky, membro da comunidade judaica baiana. Ao retornar para o Brasil, entrei novamente na USP, desta vez para cursar Psicologia. Formei-me psicólogo em 1995. Em seguida, por ter sido contratado para ser hazan e líder religioso em Campinas, em 1996, fiz meu mestrado na PUC de Campinas, em Filosofia. O tema foi o Guia dos Perplexos de Maimônides, que me proporcionou realizar a primeira e única tradução do Guia em língua portuguesa – trabalho que pretendo revisar e completar este ano, já em Salvador.

Iniciei minha formação rabínica em 2007 em Buenos Aires, mas logo segui para Jerusalém, para estudar no Hebrew Union College (HUC), que me ofereceu uma rica formação rabínica em idioma hebraico, de linha progressista/reformista.

Quanto a especialidades como rabino, entendo que constam a forte educação em hebraico, o contato e estudo de obras como o Talmud, O Zohar e o Midrash, comentaristas antigos e modernos, me dão ânimo para desenvolver grupos de estudos com uma profundidade maior do que estamos acostumados em nosso país. Como atuei como hazan e coralista por muitos anos, entendo que isto é um ‘plus’ à minha atuação rabínica. A combinação entre a formação em Psicologia, Filosofia e Estudos Rabínicos me dá instrumentos valiosos para ajudar na construção de uma comunidade inclusiva, progressista e igualitária, com profundidade espiritual e religiosa, mas ao mesmo tempo voltada à atuação prática de tikun olam: dedicarmo-nos, juntos, a tornar a vida dos judeus do Estado da Bahia mais significativa, em que o rabino esteja presente nas casas e nas vidas das pessoas como mais um da família. Isso acho essencial, aliás. Também entendo que tenho experiência de muitos anos no diálogo e na cooperação inter religiosa. Entendo que este diálogo e a atuação junto aos nossos irmãos e irmãs de outras crenças religiosas em favor do bem comum, beneficiando principalmente os mais desfavorecidos, é papel importante do rabino. E já se falando nisso, entendo que em particular em Salvador o rabino tem o papel de acolher, na medida do possível, as pessoas que optaram por ser parte do povo judeu e integrá-las da melhor maneira na comunidade, a partir de valores judaicos progressistas e inclusivos. Há muito mais para falar, mas creio que este é um bom começo para entenderem um pouco de onde vim, qual é a minha formação e como eu penso.

SIB e-News: Quais são suas expectativas para o trabalho na SIB?

Rabino Uri Lam: Está escrito no Pirkê Avot, a Ética dos Pais, que é sábio aquele que aprende com todos. Esta é a minha primeira expectativa: conhecer cada um e cada uma de vocês, aprender com vocês, e então poder colaborar, ensinar, praticar juntos. Outra grande expectativa é a de mostrar para a SIB que somos uma comunidade judaica de primeiro time, com uma comunidade vibrante, um rabino ao mesmo tempo jovem mas com quase 20 anos de experiência em atuação rabínica, e a possibilidade única de se desenvolver uma cultura judaica progressista em que as diversas manifestações culturais judaicas e brasileiras tenham voz. Imagino uma comunidade acolhedora, inclusiva, igualitária de verdade como ideal, em que homens e mulheres tenham os mesmos direitos e deveres e que todos sejam vistos como seres criados igualmente à imagem de Deus. Tenho a expectativa de aliar judaísmo a qualidade de vida, de ajudar a manter e a ampliar a vida judaica na cidade e no estado, e quem sabe, atrair mais judeus para viverem conosco.

SIB e-News: Pela primeira vez teremos um Rabino brasileiro – sem sotaque e que já sabe falar português – acredita que isso fará diferença?

Rabino Uri Lam: Eu acredito que é muito importante o fato de eu ser o primeiro rabino brasileiro a atuar na Bahia, falar o idioma local com desenvoltura e amar esta terra como um filho da mesma. Não se trata somente do idioma, mas da cultura, da música, do modo de pensar. Sou também israelense e tenho uma enorme vontade de aproximar cada vez mais o comunidade judaica brasileira em geral, e baiana em particular, dos movimentos de renovação judaica em profusão hoje em Israel. Projetos lindos, como Shabat na Praia, Tikun de Shavuot e outros que vem ocorrendo em Israel podem perfeitamente se adaptar à vida e à cultura judaica e baiana. Esta mistura se torna muito mais viável com um rabino brasileiro progressista, entusiasmado com a ideia de dar brasilidade ao judaísmo e à cultura israelense, e de dar yidishkeit, inspiração judaica à cultura brasileira e baiana.

SIB e-News: Ao que parece é um Rabino “conectado” com contas no facebook, Twitter, instagram e chegou até a ter um Blog. Como estas tecnologias podem ajudar – ou atrapalhar – no trabalho como rabino de uma comunidade pequena?

Sou um I-Rabbi ou um E-Rabbi J um rabino totalmente conectado. Entendo que estes são instrumentos importantes para nos conectarmos com judeus e simpatizantes do povo judeu no Brasil e no mundo inteiro. Facilita também a comunicação comunitária e complementa o trabalho presencial. Hoje em dia há cursos e palestras judaicas via internet, ao vivo e gravadas, há serviços religiosos transmitidos ao vivo que favorecem pessoas que vivem fora da cidade ou que estão enfermas ou hospitalizadas, permitindo que possam acompanhar desde os serviços de Iom kipur, serviços de Shabat ou até mesmo um casamento de um conhecido ou de um parente, do outro lado do mundo. A tecnologia, se bem utilizada, levando-se em consideração a etiqueta no mundo virtual – não entupir as pessoas de mensagens repetidas, por exemplo – pode ajudar em muito a tornar a comunidade judaica da Bahia mais conectada entre si e mais unida, propiciar novas amizades e relacionamentos, bem como nos colocar no mapa das comunidades judaicas no Brasil e no mundo. Discordo respeitosamente que sejamos uma comunidade pequena. Uma comunidade não se mede apenas pelo número de associados e frequentadores, mas pela qualidade dos mesmos, pela presença, comprometimento, generosidade material e no trabalho voluntário, pelo calor humano e pelo amor ao próximo. Do pouco que já conheço da Bahia e da nossa comunidade, creio que somos uma grande comunidade – e espero ajudar com que todos internalizem isso, somos grandes, devemos ter orgulho de quem somos: a deliciosa mistura entre a Bahia e o povo judeu.

SIB e-News:Qual a importância de um canal como o SIB e-News?

Eu entendo que todos os canais de comunicação com os associados e frequentadores é importante, deve ser sempre repensado e reinventado para alcançar o maior objetivo; dar os subsídios necessários para que o judeu da Bahia possa viver o seu judaísmo do melhor modo possível, de acordo com os valores de cada um. Entendo que os canais de comunicação comunitários devem ser modernos, informativos, refletir a visão de mundo da sua comunidade e ser atraente não apenas para seus membros e frequentadores, mas ser uma referência para judeus e inclusive para não judeus que busquem informação sobre judaísmo, Israel e vida judaica moderna.

SIB e-News:Quais são seus hobbies?

Adoro cantar, música brasileira, música israelense, religiosa e popular. Gosto muito de caminhar, de encontrar os amigos para conversar num restaurante ou num bar ou mesmo em casa. Caminhar na praia certamente se tornará um hobby! Adoro ler, escutar música, jogar futebol e vôlei, andar de bicicleta. Mas principalmente estar com os amigos e com as pessoas queridas.

SIB e-News:Que tal um “Bate Bola”?

Judaísmo? Progressista e inclusivo. O ar que respiro. Minha vida.

Israel? Minha pátria assim como o Brasil. Sionista convicto.

Bahia? Uma terra a ser conhecida, vivida e amada. Calor humano.

Esporte? Futebol, Volei.

Time? Corinthians!! Escola de Samba: Gaviões da Fiel.

Música? MPB, rock nacional, música israelense em geral.

Cantor? Gilberto Gil é o mais querido no Brasil. Em Israel, Kobi Oz.

Cantora? Marisa Monte. Fortuna.

Banda? Caveret. Paralamas, Legião Urbana.

Cinema? Brasileiro, Israelense, todo tipo de filme. Amo cinema e teatro. Encantado pela cultura brasileira em geral.

Filme preferido? Yentl.

Comida? Comida Japonesa.

Um herói? Rabino Adin Steinsaltz, rabino Zalman Schachter Shalomi, Rabino Levy Kelman.

Uma heroína? Bruria.

Uma expectativa? Casar-me, ter filhos, dar aulas de bar e bat para meu filho e para a minha filha.

Uma realização? Minha formação rabínica.

Uma palavra? Amor.

Uma Parashá? Lech Lechá

Algo mais? Entusiasmo, encanto pela mistura, desejo de ser muito feliz na Bahia.

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20 pensamentos sobre “Conheça o novo Rabino da SIB: Entrevista com Uri Lam

  1. Excelente entrevista.
    Bem vindo Rabino Uri Lam.
    Tenho fé que o seu trabalho na Bahia seja muito bom principalmente com os jovens até a adolescencia, os jovens adultos e os pos adolescentes-meu grupo.
    As suas palavras me dão esperança de uma pratica religiosa atualizada, progressista e que acompanha a evolução da sociedade e da ciência.
    Shalom!
    Moyses

    • querido Moyses, que linda mensagem! você captou bem o que me estimula em minha atuação rabínica na Bahia: um judaismo progressista, igualitário, no qual homens e mulheres se sintam igualmente contados e participantes, focado nos jovens, futuro de nossa comunidade – mas sem perder o foco nos “seminovos” como se chama por aqui. um grande abraço, shalom uvrachá!!! rabino Uri.

  2. Oi Uri Querido
    Shabat Shalom,
    As Perguntas feitas ao mais novo Rabino da Bahia, Foram respondidas tão rapidas e com tanta sinceridade,e precisão. Que só posso desejar COACH,
    muita sorte. E em breve todos os seus desejos sejam realizados. Para a sua e nossa felicidade. Bjs Sua familia tem muito Orgulho de vc.
    Nos te amamos

  3. Parabens Uri!!!!!! Te desejamos muito sucesso nessa etapa da sua vida!!!! Temos a certeza que a comunidade baiana tera muitos ganhos com seu trabalho!!!! Felicidades e que D’us te abencoe ricamente!!!!!!! Samuel, Conceicao e Deborah. Jerusalem – Israel

  4. Queridos Conceição, Samuel e Deborah, muito muito obrigado, vocês são e sempre serão muito queridos! nos vemos possivelmente no inicio de maio, quando irei a Israel. um beijo grande!!! Uri

  5. Belíssima entrevista. Sempre pensei no Rabino Uri Lam dessa forma : De bem com a vida e com todos . Desejo sucesso em todos os seus projetos e que o Eterno te abençoe sempre!!

  6. מזל טוב ! אני מאחל לך עשיה רבה לטובת הקהילה וחיזוק הזהות היהודית . הגעת למקום שאין דומה לו בברזיל , מקווה שתצליח בדרכיך , כל טוב וחיבוק חם !

  7. Parabéns Rav Uri Lam!
    Uma entrevista honesta, brilhante e motivadora.
    Que os congregantes possam captar toda a energia e sabedoria que lhe são próprias.
    Qol HaKavod!

  8. Parabéns querido Iri Lam.
    Mazal Tov! Apreciei sua simplicidade, humildade e otimismo. Estou certa com a confiança divina de que desenvolverás um lindo trabalho com a comunidade da SIB. Le Chaiim!
    Cristiane,nds

  9. אורי יקר ערב טוב, אני שמחה לראות אותך פועל בקהילה. יש לי שאלה אליך. האם תוכל לכתוב לי ולשלוח את המייל שלך?

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