Comentário da Semana: Parashiot Vaiakhel-Pecudê

Rabino Uri Lam
O ovo e a galinha ou a galinha e o ovo?

A vida em comunidade não é fácil. Há muitas máximas que se referem à vida comunitária. Cito algumas, mas certamente você conhece muitas outras: “Criar é fácil, difícil é manter”. “Todos querem fazer as honras da casa, mas poucos se dispõem a pagar a conta”. “Quando uma comunidade alcança o seu auge, aí começa a sua decadência” – e tantos outros.

Podemos também dizer que uma comunidade que não honra seus membros não se mantém, assim como podemos dizer também que uma comunidade que não tem meios de se manter não tem como honrar seus membros. Mas o que vem antes, a honra ou a manutenção?

Neste jogo do que vem antes e do que vem depois há outras questões aparentemente insolúveis. Podemos dizer que para trabalharmos bem é preciso que estejamos descansados. Outros dirão que para que possamos descansar, antes é preciso trabalhar muito.

Há uma máxima judaica que diz: “Não existe antes e depois na Torá”. Em outras palavras, toda esta discussão sobre o antes e o depois é apenas uma ilusão de ótica, uma miragem. Na verdade o problema não está na ordem das coisas; o problema está no modo como nós encaramos a questão.

Uma comunidade, e em particular uma comunidade judaica, não funciona de modo linear. Não há apenas um antes e um depois, mas sim um movimento multidirecional, que segue em movimento espiral para todos os lados. Há quem tente dar uma única direção, pois a outra opção pode parecer caótica. Afinal, não é à toa que de vez em quando aqueles que dirigem uma congregação se sentem no olho do furacão; talvez seja porque estejam mesmo no olho do furacão.

A Torá nos conta que, assim que retornou do Monte Sinai depois de haver escrito pela segunda vez nas Tábuas, Moisés reuniu todo o povo de Israel no deserto e transmitiu duas ordens: a primeira, que há seis dias de trabalho, mas o sétimo dia será sagrado, será Shabat, dia dedicado a Deus, no qual é proibido trabalhar. A segunda ordem é que todo voluntário de coração deve trazer uma doação para a construção do Mishcan, a Morada de Deus.

O que vem antes, trabalhar seis dias e no Shabat dedicar seu tempo a Deus? Ou dedicar seu tempo a Deus no Shabat e depois trabalhar seis dias? Doar parte de seus bens e capacidades para a construção do espaço onde podemos nos dedicar melhor a estabelecer a relação com o Divino? Ou estabelecer a relação com o Divino para então doar para a construção da Sua casa?

Não existe antes e depois na Torá. Ao decidir que também você pode doar algo ao Mishcan, comece por onde você se sentir mais à vontade – mas comece por algum lugar. O importante não é por onde nem quando começar – o importante é continuar e manter a relação com o Divino viva todos os dias, é manter-se em movimento.

Shabat shalom
Rabino Uri Lam

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