Drashá da semana: Tsav (Levítico 6:1-8:36) Ma nishtaná? O que mudou?

Rabino Uri Lam

O fogo permanecerá aceso continuamente sobre o altar ─ não se apagará (Levítico 6:6).
Durante a caminhada pelo deserto, a importância dos cohanim, os sacerdotes, era central na vida do Povo de Israel, pelo papel que exerciam quando os israelitas desejavam pedir perdão por seus erros ou agradecer pelas dádivas que recebiam. Os sacrifícios ocupavam, de algum modo, o lugar que hoje ocupam as nossas rezas.
Havia, na época, várias maneiras de o povo fazer ofertas a Deus. Em algumas destas ofertas, como nas de elevação, de expiação pelos pecados e de expiação pelos delitos, os animais e as aves eram degolados e oferecidos em sacrifício, com os mais diversos rituais realizados pelos sacerdotes ao redor do altar. Por sua vez, na oferta de oblação eram utilizados flor de farinha de trigo, azeite e incenso. Já nas ofertas de pazes havia tanto sacrifícios vegetais ─ como bolachas não fermentadas amassadas ou untadas com azeite ─ como sacrifícios animais. Porém, era estritamente proibido comer a gordura e o sangue do que restava dos sacrifícios animais.
Contudo, nós vivemos em outra época e temos outros valores. Com o fim dos sacrifícios após a destruição dos dois Templos Sagrados de Jerusalém, há quase 2 mil anos, o papel do sacerdote ficou sensivelmente diminuído dentro da comunidade judaica.
Mesmo antes da construção do primeiro Templo, o rei David já dizia, nos Salmos: “Eterno, abre os meus lábios e a minha boca dirá o Seu louvor. Pois o Senhor não deseja sacrifícios, senão eu os daria; nem aspira a ofertas de elevação. Os sacrifícios a Deus são o espírito contrito; o Eterno não desprezará um coração abatido e prostrado” (Salmos 51:17-19).
Ma nishtaná, o que mudou? Quem mantém nossos “altares”, quem realiza nossos “sacrifícios”, quem preserva sempre acesa a chama do judaísmo em nossas comunidades?
Mudaram os sacrifícios e mudaram os agentes dos sacrifícios. Graças a Deus, a chama da vida judaica continua acesa graças a muitos profissionais, além dos valorosos voluntários e voluntárias de nossa comunidade que demonstram grande espírito de desprendimento, confiança e boa vontade em prol da SIB. São verdadeiros heróis e heroínas do dia a dia. Entre eles estão nossas morot (professoras); os madrichim e madrichot (monitores e monitoras) do Habonim Dror; nossos funcionários; os músicos e artistas; aqueles que cuidam diligentemente do setor financeiro, das áreas sociais, de ajuda aos mais necessitados e de todos os demais setores; os pais e mães, que não medem esforços para levarem e buscarem seus filhos das aulas de judaísmo em meio ao trânsito caótico da nossa cidade. Todos sacrificam parte de suas vidas profissionais e pessoais em favor da SIB, sendo nem sempre sabemos exatamente o que eles fazem. Devemos valorizar muito o seu trabalho e, se possível, nos juntarmos a eles nesta verdadeira avodat kódesh, este serviço sagrado.
Em poucas palavras, nossos heróis e heroínas, que mantêm, dia e noite, a chama do judaísmo acesa ininterruptamente.
Rabino Uri Lam

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