O enterro de uma caixa de sabão

Texto que acompanha o vídeo enviado por Renato Guertzenstein

Amigos, quando recebi o rolinho original com este filme em 16 mm a pessoa que o cedeu afirmou que o ano era 1947. E foi preciso algum tempo para conseguir encontrar a informação correta, pois este evento não consta de nenhum livro sobre a história dos judeus no Rio de Janeiro, apesar, de agora sabermos, ter sido um evento de 5.000 pessoas, com um cortejo de 600 carros que parou a área da Praça da Cruz Vemelha e Praça Onze e chamou a atenção de todos até chegar à Vila Rosali.

Você vai assistir o único filme encontrado sobre o Enterro do Sabão, em 1949.
Segundo os depoimentos, uma caixa com sabão feito pelos nazistas, com gordura de judeus, foi enviada oficialmente da Alemanha. Informações mais recentes (abril de 2013), dão conta de que a caixa com o sabão humano chegou no Porto de Santos. Ativistas da Comunidade Judaica de São Paulo a receberam e a trouxeram em trem normal para o Rio de Janeiro.

No Rio, houve uma cerimônia enorme no Grande Templo Israelita e o cortejo fúnebre se dirigiu “à sinagoga da Praça Onze”, provavelmente a Beth Ysroel. De lá, em 600 carros judeus e não-judeus foram para o cemitério Israelita de Vila Rosali, onde a cerimônia final aconteceu comandada pelo rabino Tsikinovsky (o alto com barba branca que aparece no vídeo). Esta é a versão mais correta sobre os fatos.

Neste ano (2013) haverá um evento especial promovido pela Chevra Kadisha em relação ao Memorial do Holocausto do Rio de Janeiro, que foi o primeiro das Américas.

O filme de Herszt Roizemblit começa com a caixa de sabão coberta por um talit, chale ritual judaico carregada solenemente, por homens da Comunidade Judaica. São feitas orações e podem ser vistos dois rabinos. Há imagens da caixa sendo enterrada – em fotos de jornal que não constam deste filme, mas não há do local do memorial. O cinegrafista mostra a multidão presente no cemitério ainda com poucos túmulos. De terno branco, vem em direção nós outro cinegrafista com uma câmera profissional que ninguém sabe quem é e ninguém sabe o destino deste outro material. Aproveitando a ida à Vila Rosali que não era uma empreitada simples em 1949, familiares visitam túmulos de parentes do cemitério antigo e rezam o kadish por suas almas.

De acordo com a nova filosofia de ensino do Yad Vashem, não é mais aceito o conceito de que os nazistas fizeram sabão com gordura de judeus. Mas essa visão só mudou em 2007.

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