Drashá da semana: Parashat Nassô

Rabino Uri Lam

Na parashá desta semana, Nassô, aprendemos a bênção transmitida por Deus para ser proferida pelos sacerdotes sobre o povo de Israel:

O Eterno te abençoará e te protegerá;

O Eterno resplandecerá a Sua face sobre ti e te instruirá;

O Eterno levantará a Sua face sobre ti e colocará para ti paz.</strong>

Hoje em dia esta bênção é parte integrante da liturgia judaica, recitada publicamente no serviços religiosos e em momentos inesquecíveis de nossas vidas: sobre um jovem que se torna Bar Mitzvá ou uma jovem que se torna Bat Mitsvá, sobre os recém-casados sob a Hupá, sobre aquele e aquela que, sinceramente, optou por fazer parte do nosso povo.

Mas o que é uma bênção? Em um sentido literal, é uma oração que inicia com “Baruch Atá Hashem…”, “Bendito sejas Tu, Eterno”. Uma brachá é… um agradecimento! Por meio da brachá agradecemos a Deus pela possibilidade que Ele nos deu de tornarmos este um mundo melhor e de sermos, por meio de nossos atos, pessoas melhores.

Ao pronunciarmos uma brachá, reconhecemos duas certezas: a certeza da existência de Deus como o Soberano do Universo, Único e Perfeito; e a certeza de que somos imperfeitos, que temos muito ainda para melhorar, mas que desejamos e nos propomos a melhorar.

Os nossos sábios sempre deixaram claro que nenhum sacerdote ou líder religioso deve ser visto como alguém perfeito, muito menos divino. Nossos rabinos sempre enfatizaram que é Deus que traz as bênçãos sobre nós, não os líderes religiosos, por maiores e melhores que sejam.

Segundo um midrash, nossos sábios advertem: “Jamais pergunte: ‘É este sacerdote, imperfeito e cruel, que irá nos abençoar!?’ Pois Deus disse: ‘Que eles coloquem o Meu Nome sobre os israelitas e Eu os abençoarei!” (Talmud de Jerusalém, Tratado Guitin, 47b).

Chama a atenção, neste midrash, a sugestão de que um sacerdote que abençoa pode ser também alguém imperfeito e cruel. Provavelmente os nossos rabinos queriam dizer que não se pode atribuir a um líder religioso a perfeição, o auge da santidade, poderes mágicos ou de cura, ou que acerte sempre em suas atitudes. O líder religioso deve se perceber e ser percebido como kli códesh, um recipiente por meio dos quais o sagrado pode se manifestar; mas ele ou ela deve buscar ser o melhor recipiente, dentro dos limites da sua condição humana.

Qual é o melhor modo de um líder religioso ser um kli códesh capaz de fazer valer as bênçãos divinas? Rashi, o famoso comentarista da Torá, nos ensina: “Não os abençoe com pressa nem excitação, mas com cavaná, ou seja, aponte o caminho com plena consciência e de todo coração.”

Rashi acreditava que a maior mitsvá de um sacerdote não está na bênção proferida, mas na forma de abençoar: com reverência e com as palavras corretas.

Eu particularmente compreendo que um líder religioso deve rezar com toda reverência, mas será possível que ele sempre encontre os termos certos? Como fazer com que as palavras sejam, na maior parte das vezes, veículos para as bênçãos divinas? Afinal de contas, não é isso o que muita gente espera de um líder religioso: palavras de conforto, de fé, principalmente nos momentos mais difíceis? Nem sempre o rabino encontrará estas palavras, mas o que ele não pode é desistir. Um líder religioso deve ser, acima de tudo, um otimista; o otimismo anda de mãos dadas com a reverência a Deus e é uma das rodas da carruagem que carrega as bênçãos.

Que os nossos líderes religiosos continuem se dedicando para serem klei códesh, recipientes para as bênçãos sagradas de Deus. E que o Eterno continue, sempre, nos abençoando, protegendo, iluminando e instruindo. Principalmente, que Deus preencha nossas vidas com a esperança na plenitude da paz, sobre cada um de nós e sobre toda a humanidade.

Shabat shalom umevorach

Rabino Uri Lam

Sociedade Israelita da Bahia – SIB

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