Congregar – Drashá sobre a Parashá Behaalotechá

Rabino Uri Lam

O que têm a ver uma antiga arca, um candelabro de ouro e um submarino amarelo?

Era uma vez uma antiga arca. Alguns acham que sempre esteve cheia de objetos e pergaminhos, de reis e leis, de princesas e soldados, de profetas e inimigos. Homens e mulheres continuam até hoje tomando para si o que consideram importante da arca. Outros acham tudo isso uma loucura. Há quem diga que ela está bem guardada em algum país da África, nos porões do Vaticano, no deserto da Judéia, não, em Petra, na Jordânia, ou no fundo do mar, silenciosa, aguardando algum caçador de tesouros. Nos séculos 19 e 20, muita gente esclarecida considerava a arca um museu abandonado e às escuras, no fundo de um oceano de ignorância.

Eis que chegamos ao século 21 e a antiga arca dá sinais de que ainda tem muitos tesouros a revelar. Um museu de grandes novidades, como diria Cazuza. Basta iluminá-la e passear por suas estantes empoeiradas, navegar pelas bibliotecas virtuais ou experimentar fortes emoções nas diversas máquinas do tempo espalhadas por seus andares. É virar e revirar que está tudo lá, dizem.

Pois bem, Aarão, o sacerdote, vem para iluminar o que há na nossa arca. Ele recebe de Moisés a incumbência de se erguer e acender as luzes da Menorá. Nossos sábios comentam que três luminárias estavam voltadas para o oeste e três para o leste, enquanto a sétima brilhava no centro. O ouro maciço, tão espelhado de tão lustrado, replicava e multiplicava a luz de suas chamas.

Agora sim, podemos encontrar o maior tesouro contido na Arca, a Torá. Vamos abri-lo na parashá desta semana? Deixe-me procurar… aqui está: estão vendo estas letras misteriosas, como se fossem dois “vav” invertidos, que delimitam uma conhecida passagem: Vaiehi Binsoa, “quando a Arca partia em viagem…”? (Núm. 10:35-36). Alguns comentaristas dizem que na verdade esta passagem é um livro por si mesmo, inserido no meio do livro de Números. Quanta coisa ainda há para ver, este é só o começo!

E o submarino amarelo, onde entra? Ora, ele é a nossa arca sagrada, o nosso museu de grandes novidades, iluminado pelas luzes da Menorá. Aqui podemos estudar Torá dia e noite, independente se a maré não está para peixe, se está alta ou baixa. Mergulhados num mar de águas calmas ou turbulentas, conhecidas ou nunca antes navegadas. Alguns nos dão por desaparecidos, outros que o submarino amarelo nunca existiu, pois os relatos sobre ele são parte de mitos inventados por povos muito antigos – e que nós, judeus, adotamos como sendo nossos e só nossos. Muitos decidem sair do submarino e nadar por conta própria, e muitos outros querem entrar. Quem sai não sabe em que águas entrará, e quem quer entrar nem imagina o quanto é complicado viver e conviver neste submarino amarelo, onde cada dois marujos apontam para três direções a seguir.

Há alguns anos quatro rapazes britânicos contaram ao mundo que souberam de um submarino amarelo, através de um viajante dos mares. Não sei de que submarino eles falavam, mas aviso aos navegantes: o nosso pequeno submarino amarelo está vivo, bem iluminado, e segue a sua rota. Tem quem diga que aportou em Salvador, há alguns meses. Vamos entrar?

Shabat shalom

Rabino Uri Lam

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