Nos 50 anos da Marcha sobre Washington, judeus lembram parceria com King

rabino Abraham Heschel, Martin Luther King, pastor Ralph Abernathy, rabino Maurice Eisendrath (com a Torá) e rabino Everett Gendle

Nesta quarta-feira, 28 de agosto, completa 50 anos o histórico discurso do maior líder da comunidade negra norte-americana, Martin Luther King, na Marcha sobre Washington. “Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seu credo: ‘Consideramos essas verdades manifestas: que todos os homens são criados iguais’”, declarou ele, perante 250 mil pessoas na capital americana, em luta pela igualdade dos direitos civis nos Estados Unidos.

Os judeus se envolveram fortemente no movimento pelos direitos civis. O rabino, teólogo, ativista social e místico Abraham Heschel, um dos principais líderes religiosos dos EUA no século 20, foi um dos apoiadores de King.

Em uma das marchas organizadas pelos negros, da cidade de Selma, no Alabama, para a capital do Estado, Montgomery, em março de 1965, Heschel participou e afirmou que estava “rezando com as pernas”. Ele também se opôs à Guerra do Vietnã.

Em maio de 1965, Martin Luther King fez um discurso no encontro anual do American Jewish Committee (AJC), em que abordou os princípios do protesto não violento, que guiaram o movimento dos direitos civis.

Ainda que tenha falado principalmente sobre as aspirações dos negros americanos, King tratou também da busca judaica por liberdade e segurança e disse que pessoas de todo o mundo deveriam protestar contra o antissemitismo na então União Soviética. “Há o perigo do silêncio, que involuntariamente encoraja o mal a florescer”, afirmou King.

O líder negro lembrou a posição do AJC na luta pelos direitos civis e citou uma declaração da entidade, feita em 1963: “A crise resultante de um século de negação, pela maioria branca, dos direitos humanos básicos dos negros norte-americanos não é um problema negro. É um desafio que clama por um compromisso moral de norte-americanos de todas as raças e religiões e de todas as partes do país”.

No encontro, o AJC agraciou Luther King com seu Medalhão das Liberdades Americanas, em reconhecimento ao seu “excepcional avanço dos princípios da liberdade humana”.

O AJC, fundado em 1906 para ajudar judeus russos perseguidos pelo império czarista, busca combater o antissemitismo, promover valores plurais e democráticos e fortalecer a vida judaica. Também apoiaram Luther King entidades como a Central Conference of American Rabbis, United Synagogue Council of America, Synagogue Council of America e Congresso Judaico Mundial

CONIB via e-mail

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