Oração com Inspiração 11: Laassok bedivrê Torá: nos envolvermos com as palavras da Torá: que Torá?

O que significa Torá? Quando você fala em Torá, o que você quer dizer?

  • A Torá são os cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco, certo? Em parte.
  • A Torá foi entregue por Deus a Moisés no Sinai, certo? Em parte.

  • A Torá é a Torá de Moisés, certo? Em parte.

Quando, nos serviços matutinos, agradecemos a Deus por nos ocuparmos com as palavras da Torá, muitos livros de orações sugerem um pequeno estudo inicial, formado respectivamente por uma passagem bíblica, uma da Mishná – obra de sabedoria rabínica compilada por Rabi Yehuda Hanassí (por volta do séc. 2) – e outra da Guemará, textos rabínicos que partem da Mishná para, junto com ela, comporem o Talmud. P

Podemos pensar: então ocupar-se com a Torá abrange muito mais do que conhecer os cinco primeiros livros bíblicos? Sim. É muito mais do que estudar os livros dos profetas, os salmos e tantos outros? Sim, claro. É mais ainda do que se debruçar sobre leis e lendas rabínicas da tradição oral judaica? Por incrível que pareça, sim. Avança para as reflexões, leis e orientações de grandes homens e mulheres da idade média, dos tempos modernos e contemporâneos, de várias partes do mundo? Definitivamente, sim.

Puxa, é muita coisa! Qual é o limite? Depende de cada um e de cada uma.

Cada um tem a sua Torá. Cada comunidade forma seus valores a partir da ênfase que dá a certos aspectos da Torá. O povo judeu como um todo acaba sendo um fantástico mosaico – no fundo cada um é uma letra da Torá e, juntos, formamos o todo.

Cada letra da Torá é uma Torá em si mesma.

A Torá vem de fora para dentro – e de dentro para fora.

Ao nos envolvermos com a Torá, ela penetra em nosso ser até onde permitirmos e quisermos. A partir daí ela se mistura com nossos pensamentos, sentimentos e ações.

Nós nos apropriamos da Torá ao mesmo tempo em que ela se apropria de nós.

E compartilhamos a nossa Torá com outras pessoas, que por sua vez compartilham a sua Torá conosco. E a Torá cresce e ganha novas e novas camadas.

Devemos escutar, ler e estudar o que os sábios de todos os tempos refletiram sobre a Torá, compreender o modo como ela se incorporou em seus corpos, como ela os animou em suas almas, como ela se tornou prática em seus atos.

Ao mesmo tempo, temos todo o direito de criar as nossas próprias conexões com este legado espiritual, temos toda a liberdade de gerar nossas descobertas a partir de nossas próprias reflexões na alma, temos toda a capacidade de decidir como agir ao adotarmos a Torá como bússola.

A Torá é o GPS do povo judeu: se errarmos o caminho, ela apontará diversas novas opções de novos caminhos.

Envolver-se com a Torá não significa repetir um padrão estabelecido. Significa criar uma enorme rede de conhecimento, reflexões e valores, uma rede social e espiritual que nos acompanha dia a dia. A Torá se mantém viva não no papel impresso nem nos tradicionais rolos, mas como parte orgânica de cada um de nós.

Moisés recebeu a Torá no Sinai e a passou adiante. Desde então, sempre viva, a Torá não para de crescer, revelar-se e desenvolver-se.

E quanto mais a Torá se desenvolve, mais eu me envolvo com a Torá.

(U.L.)

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