Gustav Mahler, um judeu do fim do século XIX

Gustav Mahler

Gustav Mahler e Felix Mendelssohn são considerados os maiores compositores judeus de todos os tempos. Mahler nasceu em 7 de julho de 1860, em Kalischt, cidade hoje pertencente à República Checa, mas na época austríaca, de língua e cultura germânicas. Nascido em uma modesta família judaica, seu pai era cocheiro e seu avô mascate. Cedo, a sua personalidade foi moldada em meio a conflitos de natureza racial e familiar. Entre checos, era discriminado como pertencente à minoria austríaca, enquanto que entre estes também era segregado como judeu. E até no meio judaico foi também mal vista a sua posterior conversão ao cristianismo, hoje entendida como única forma de um músico judeu galgar as mais altas posições no aristocrático e antissemita meio musical vienense de fim de século XIX.

Um trágico ciclo de mortes e doenças se abateu sobre seus 11 irmãos, e, posteriormente, sobre a sua própria adorada filha, contribuindo para moldar seu caráter de forma a compeli-lo a um argumento de tragédia e morte. Esses dados biográficos explicam os constantes sentimentos de depressão, angústia e obsessão pela morte, que se tornaram os elementos fundamentais de sua vida e de sua obra.

A personalidade mahleriana só teve paralelos fora da esfera musical: o pai da psicanálise Sigmund Freud, o criador da literatura do absurdo Franz Kafka e o filósofo frankfurtiano Walter Benjamim, poderão ser considerados como alter egos do compositor. Eram todos judeus germânicos não praticantes, e assimilados à cultura secular europeia-germânica. Na Europa oriental do fim do século XIX, a assimilação, e até mesmo a conversão ao cristianismo, eram muito comuns entre os judeus que quisessem seguir uma carreira oficial.

Zubin Mehta Sinfonia n2 de MahlerConfesso-me um ardoroso admirador da vida e da obra deste paradoxal compositor e, portanto, nada mais gratificante do que ouvir sua Sinfonia n. 2, chamada de Ressurreição, gravada ao vivo na Fortaleza de Masada, local onde no ano 135 d.C.., os judeus liderados por Bar Kochba, resistiram às legiões romanas de Adriano, ate o martírio final. A execução deste monumento orquestral está a cargo do maestro Zubin Mehta, à frente da Orquestra Filarmônica de Israel, que hoje, juntamente com as “Quatro Grandes“ orquestras norte-americanas (Nova York, Boston, Chicago e Filadélfia) e as “Quatro Grandes” europeias (Berlim, Viena, Amsterdã e Londres), perfila no pódio das melhores do planeta.

Enviada por Roberto Leon Ponczek. Você também pode colaborar com o SIB e-News enviando um e-mail para sib.e.news@gmail.com

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