1º Simpósio Internacional de Educação Judaica – “Novas Fronteiras para a Educação Judaica no Brasil” (4-6 de abril de 2014)

Simposio de Educacao Judaica RJ 2014 (1)Neste último fim de semana estive com Rosinha F. Cardonski no Rio de Janeiro para participarmos deste importante simpósio. Tenho reforçado a importância de aumentarmos o intercâmbio com comunidades e experiências de educação, cultura e práticas religiosas com outras comunidades. A SIB foi representada também por duas jovens do Dror, Carol Zalcbergas e Nina Kertzman, que participaram do encontro de lideranças dos movimentos juvenis.
Já na 6ª feira à tarde, Rosinha participou de um interessante fórum pedagógico sobre práticas e projetos de judaísmo: “Ressignificando o ensino de cultura judaica nas escolas”. À noite participamos do serviço de Kabalat Shabat na ARI-RJ, com a participação dos dois rabinos, Sérgio Margulies e Dario Bialer. Ambos os rabinos fizeram suas prédicas, um no início e o outro no fim, passando o recado da boa interação e trabalho em equipe, em prol da comunidade. As boas vindas à ARI, no entanto, vieram pouco antes do serviço. A comunidade recebe as pessoas com mesas repletas de livros e objetivos judaicos, além de serem servidos bolos, café e refrigerantes. A chegada à ARI é uma delícia. Uma prática que poderíamos pensar em adotar.
No dia seguinte fui ao serviço religioso de Shacharit de Shabat na CJB, com o rabino Nilton Bonder, onde me encontrei também com a rabina Luciana Pajecki Lederman, a diretora do colégio Alef de São Paulo, Marina Gottfried, e a querida Rachel Reinhardt, professora na comunidade Shalom e participante num lindo projeto de um Sefer Torá escrito exclusivamente por mulheres. Fomos muito bem recebidos pelo rabino Bonder e por toda a sua comunidade. A sinagoga, na Barra da Tijuca, é linda; e algumas de suas características me remetem à nossa sinagoga e ao modelo construído para a nova sede: a bimá no centro, com a mesa voltada para o kahál (os presentes na comunidade), sentados ao redor em forma de “U”. O acompanhamento musical era feito por um violonista, com muita sensibilidade. Como quem está ansioso com a nossa mudança, reparei nos detalhes da CJB: piso de madeira, como o nosso novo piso; o pé direito da sinagoga é baixo – o nosso pé direito deve ser duas vezes mais alto. O Aron hakódesh é simples, porém iluminado por dentro, dando mais brilho e respeito aos rolos da Torá. Os pilares ao redor da sinagoga – na CJB são seis; na nossa serão quatro – são adornados por tipos de esculturas inscritas no concreto aparente. Enquanto o conceito da nossa sinagoga foi inspirado na Menorá, o da CJB foi inspirado na Árvore da Vida. Mas os dois têm diversas semelhanças.
A leitura da Torá segue o rito trienal – diferente do nosso, que segue o rito anual. O rito trienal permite que se faça a leitura da Torá de forma mais breve e se aproveite o tempo restante para uma conversa entre o rabino e a comunidade sobre a leitura. É extremamente agradável e, a meu ver, mais significativo, pois em vez de somente escutarmos a leitura, podemos estudá-la, o que é o objetivo em si mesmo deste momento do serviço religioso. No serviço a rabina Luciana foi convidada a subir para a 6ª aliá na Torá e eu convidado a carregar a Torá antes e após a sua leitura. No geral fiquei encantado com a simplicidade, as vozes suaves e as crianças no serviço, em pleno sábado de manhã de sol no Rio de Janeiro, que continua lindo, muito lindo.
Ao final tivemos um lindo kidush e conversas com o rabino Bonder, que foi muito receptivo e carinhoso com a ideia de estreitarmos os laços religiosos, sociais e culturais entre a CJB e a SIB.
Já no sábado à tarde o simpósio continuou no colégio Eliezer Max, no bairro das Laranjeiras. O evento contou com educadores que debateram temas ligados à educação judaica de um modo que me causou excelente impressão pelo alto nível, honestidade ideológica e paixão dos participantes pelo tema.
Logo no início pôde se ver que o objetivo não eram lobbies políticos comunitários, inovações tecnológicas ou a competição com escolas de ponta e de elite, mas sim compartilhar um modo pluralista de formar indivíduos conscientes de sua identidade judaica e de seu papel no mundo, a partir dos valores éticos que nos foram legados ao longo de séculos e dos quais somos sujeitos.

Simposio de Educacao Judaica RJ 2014 (2)

Estavam presentes educadores de norte a sul do Brasil. Tudo começou, pelo que pude perceber, como um esforço de reflexão da escola Eliezer Max, do Rio de Janeiro, que se ampliou a nível nacional para pensar a escola judaica não para perpetuar um mundo judaico “na bolha”, dentro dos muros; mas para oferecer uma transmissão apaixonada dos valores e práticas judaicas que se tornem diversas luzes a iluminar seus caminhos pelo mundo. Foi um encontro que refletiu, a meu ver, uma escola de valores judaicos, não uma escola para judeus.
Uma das questões discutidas foi o ensino judaico transversal: o judaísmo não como uma matéria escolar, mas como valor que permeia e se integra a todos os setores da vida, como direitos humanos e meio ambiente, experiências comunitárias e históricas judaicas, de outros povos e grupos sociais.
Entre os temas discutidos e debatidos estavam: “A escola judaica num cenário multicultural”, “Desafios da integração curricular – Base Nacional Comum X Conteúdos de Cultura Judaica”, “O ensino judaico e sua história”, “Inserção religiosa na escola laica”.
Simposio de Educacao Judaica RJ 2014 (3)Lado a lado, educadores de alto nível, como o professor Yossi J. Goldstein, do Centro Melton de Educação Judaica da Universidade Hebraica de Jerusalém e educador do Yad Vashem; Joshua Holo, vice-reitor e professor de História Judaica do Hebrew Union College de Los Angeles, EUA; Muki Tsur, historiador e educador do Bina – Centro de Estudos de Identidade Judaica e Cultura Hebraica de Israel. Entre os brasileiros, José Junior, coordenador do Grupo AfroReggae; Rosiani Rodrigues, sacerdotisa de religião de matriz africana, jornalista e escritora, trouxe uma reflexão a respeito das dificuldades do ensino de religião nas escolas públicas cariocas, como a demonização das religiões de matriz africana por outros grupos religiosos. Gustavo Ioschpe, articulista da Veja e do Compromisso Todos pela Educação, falou sobre por que decidiu não colocar seus filhos em escola judaica e a importância que dá à educação judaica não formal oferecida pelos movimentos juvenis. O rabino Sérgio Margulies, da ARI, falou sobre a importância da escola judaica e do ensino do hebraico; Michel Gherman, do Eliezer Max, expôs de maneira apaixonada a importância da inserção real dos valores judaicos na construção de um mundo mais ético e integrado à sociedade, deixando de lado, nas suas palavras, a educação “fofinha” – que me soou o que em hebraico chamamos de “keílu” (fazer de conta que). Jaime Spitzcovsky, coordenador de Relações Institucionais da Conib, mediou um dos relevantes debates, que se estendeu pela tarde de domingo. Também houve exposições importantes do rabino Rogério Z. Cukierman, do Colégio I.L. Peretz de São Paulo e de Thelma Polon, do Eliezer Max, do Rio. Citei alguns nomes consciente da injustiça de não recordar todas as participações, como as da diretora Mariana Gottfried, da escola Alef de São Paulo, da rabina Luciana Pajecki Lederman, o professor Celso Garbarz entre tantos outros. Todos e todas foram muito relevantes.
Simposio de Educacao Judaica RJ 2014 (4)
Estive no simpósio com Rosinha F. Cardonski, vice-presidente e diretora da Escola de Educação Judaica Complementar da SIB, que aproveitou para rever colegas da área e trocar experiências. Nós entendemos que é importante participar e conhecer de perto as mudanças na formação judaica e incrementar a interação destas experiências com a nossa realidade em Salvador.
Uma das principais características do simpósio foi o foco apaixonado na formação judaica para o mundo. Estou certo de que a imensa maioria de professores e participantes, judeus e não judeus, saiu do encontro com a certeza de que os valores educacionais judaicos mais caros a todos nós não são somente a tecnologia nem o mercado, mas valores éticos de um judaísmo integrado ao mundo em seu redor.
O evento foi organizado pela Escola Eliezer Max em parceria com a Associação Religiosa Israelita (ARI), apoio da Agência Judaica e da Fierj.

Texto do Rabino Uri Lam e fotos do arquivo pessoal de Rosinha Cardonski

 

 

Anúncios

Um pensamento sobre “1º Simpósio Internacional de Educação Judaica – “Novas Fronteiras para a Educação Judaica no Brasil” (4-6 de abril de 2014)

  1. Excelente o relatorio do Uri e o registro fotográfico de Rosinha. Esperamos que os conhecimentos adquiridos sirvam para nortear atitudes modificadoras do nosso comportamento educacional. Considero importante a participação dos nossos representantes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s