Margem de Proteção – Distorções e Realidades

Yoel Barnea - Consul Geral de Israel em São Paulo

Yoel Barnea – Consul Geral de Israel em São Paulo

No momento de escrever estas linhas, os mísseis do Hamas continuam a “chover” sobre a população israelense e mais de 4 milhões de nossos cidadãos vivem sob a ameaça destes mísseis. A população palestina de Gaza fica refém do terrorismo do Hamas, que declara estar pronto a continuar a luta contra Israel até o último de seus integrantes, ou melhor dito, até a “última gota de sangue da população civil palestina” em Gaza.

Os dirigentes do Hamas, tanto políticos como a ala militar, estão muito protegidos em refúgios sob Gaza, mas estão dispostos que os habitantes civis de Gaza paguem o preço de sua política de terrorismo e de extremismo. Ismail Hanya, ex “primeiro ministro” de Gaza, se transformou em milionário nos últimos anos. O dirigente do Hamas no exterior, Haled Mashaal, acumulou riquezas de mais de 2.6 bilhões de dólares. Será que os dirigentes do Hamas confundem entre os fundos da assistência internacional para os palestinos, incluindo aqueles dos países árabes, e as contas pessoais deles nos bancos em Egito e Qatar?

Israel lamenta profundamente a perda de vidas humanas do lado palestino, mas os ataques indiscriminados do Hamas contra a população civil do sul de Israel nestas últimas semanas e de todo o território israelense, na ultima semana, não deixaram ao governo outra alternativa que defender a vida de seus cidadãos, o que é não somente o direito, mas a obrigação de todo governo. O terrorismo palestino utiliza a população palestina de Gaza como “escudo humano”, posiciona as plataformas de envio dos mísseis no seio dos habitantes; utiliza escolas e mesquitas como local de lançamento dos mísseis, que são armazenados nestes bairros – a população não pode reclamar, sob pena de ser punida.

Israel adverte a população palestina sobre um ataque iminente pelo telefone, panfletos e outros meios, solicitando que eles se retirem dessa zona de ataque, para poupar e proteger vidas palestinas. As diretivas do Hamas: exigem aos habitantes a não se retirar e proteger os mísseis com suas vidas. Essa é toda a diferença entre Israel e o Hamas: nós utilizamos sistemas defensivos contra os mísseis do Hamas para proteger nossa população civil – o Hamas utiliza a população civil palestina, cruelmente e cinicamente, para proteger seu arsenal de mísseis.

O terrorismo do Hamas atinge não somente os israelenses, mas também seus próprios irmãos palestinos. O Hamas assassina assim palestinos também e tem que salvar os palestinos do próprio Hamas!

Ponhamos um pouco de ordem nos fatos. Israel vive sob a ameaça de aproximadamente 12000 mísseis nas mãos do Hamas, parte deles destruídos na operação militar atual – “Margem de Proteção”. Mais de 1250 mísseis foram lançados contra os civis israelenses nesta última semana! O Hamas preconiza que a solução do conflito entre israelenses e palestinos e a destruição do Estado de Israel, por intermédio da Jihad, o terrorismo, o extremismo e a luta armada. O terrorismo do Hamas é responsável por mais de 80 ataques suicidas contra Israel e sua população civil nos últimos anos, com o triste resultado de mais de mil israelenses assassinados e outros milhares feridos.

Israel celebra a vida – Hamas celebra o culto da morte.

Israel é uma democracia que defende sua população. Hamas é uma organização terrorista, reconhecida como tal pelos Estados Unidos, Canada, a União Européia, Austrália, Japão e mesmo o importante pais árabe que é o Egito, com uma carta de princípios racista e vil.

Na semana precedente à ação militar israelense, o Hamas e outros grupos terroristas de Gaza, como a Jihad Islâmica, começaram com ataques de mísseis indiscriminadamente contra os civis israelenses no sul do país. Israel demostrou uma vez mais moderação e contenção frente às dezenas de mísseis lançados pelo terrorismo palestino de Gaza, se absteve de toda reação militar e declarou que o cessar do lançamento de mísseis de Gaza será respondido pela abstenção de reação militar israelense. A resposta do Hamas: o recrudescimento dos ataques, sem distinção. O Hamas mente descaradamente quando declara que está atacando alvos militares exclusivamente: os prédios, os postos de gasolina, as instituições públicas, os campos em fogo, as usinas queimadas, etc., são as testemunhas claras desta propaganda mentirosa.

O leitor se surpreenderá em saber que mesmo quando centenas de mísseis atingem Israel em média diariamente, nosso país continua a prover eletricidade, alimentos, água e combustível à Gaza, incluindo tratamento médico aos palestinos em necessidade, parte deles tratados em hospitais israelenses. A eletricidade abastecida por Israel serve ao Hamas em Gaza para fabricar novos mísseis e construir novos túneis subterrâneos, utilizados para armazenar foguetes, mísseis e material explosivo, assim como para tentativas de penetração subterrânea a Israel e a execução de ações terroristas contra os civis israelenses.

Essa é a conduta moral de Israel – adverte os civis dos ataques iminentes – o que permite também aos terroristas de Hamas, ocultos pelos “escudos humanos” de seus irmãos civis palestinos, de fugir e se proteger, junto aos seus artefatos de terrorismo. Essa é a conduta moral de Israel – abastece a população civil de Gaza com primeiras necessidades, – e o terrorismo de Hamas “retribui” com o lançamento de mísseis e foguetes contra os civis israelenses (geralmente, Hamas e os outros grupos palestinos terroristas não sabem mesmo exatamente onde o míssil caíra em território israelense).

Nos reprocham a falta de “proporcionalidade” no número de vítimas do lado palestino e do lado israelense. Israel investiu sempre, mas ainda mais nos últimos anos, recursos financeiros e humanos, a fim de poder proteger melhor sua população civil, a luz do terrorismo palestino indiscriminado. Hamas investiu parte importante da assistência internacional em mísseis, foguetes e atos terroristas, ao invés de proteger, melhorar a situação econômica, social e condições de vida da população palestina sob seu controle, além de “abastecer” as contas bancárias de seus dirigentes, que hoje seguem o conflito atual dos refúgios subterrâneos em Gaza ou no estrangeiro.

Israel lamenta a perda de vidas humanas, de qualquer lado que estejam. Mas a responsabilidade é do Hamas e dos outros grupos palestinos terroristas, que cometem dois crimes de guerra atrozes: lançamento de mísseis indiscriminadamente contra os civis israelenses e a responsabilidade de utilizar sua própria população como” escudos humanos”.

A opinião pública internacional crítica Israel pela falta de “proporcionalidade” no número de vítimas entre as partes – em outras palavras, somos acusados pela falta de precisão do terrorismo de Hamas. O mundo ficaria mais tranquilo e sossegado se tivéssemos mais vítimas fatais no seio da população civil israelense? Não acho que Israel deveria se desculpar por não ter mais vítimas civis ou pelo fato que toma as medidas máximas para proteger sua população, o que não é feito de jeito nenhum pelo terrorismo do Hamas, que menospreza também a vida de seus irmãos palestinos.

No dia 15 de julho, Israel aceitou a proposta do Egito de cessar fogo e poupar assim a vida de israelenses e palestinos – Israel cessou suas ações militares em consequência. Mas o Hamas não aceitou a proposta de cessar fogo e continuou e mesmo até acrescentou o lançamento de mísseis contra o território israelense. Depois de seis horas de espera para que cessasse a atividade terrorista do Hamas, Israel se viu na necessidade de renovar os ataques contra os alvos do terror palestino, para defender sua população, princípio de autodefesa reconhecido pela comunidade internacional. O Hamas não teve dúvida nenhuma de continuar a pôr em risco a população palestina a sua mercê e carrega com a responsabilidade desta decisão irresponsável e cruel contra seus próprios irmãos palestinos.

Quando atacado, Israel tem o direito de se defender e tem a obrigação de fazê-lo. As ações israelenses são mesuradas e dirigidas contra as plataformas do lançamento dos mísseis e a infraestrutura terrorista do Hamas, que transformou a faixa de Gaza em um foco e base de ataque e terrorismo contra Israel.

A solução do conflito entre Israel e os palestinos passa pelo princípio de dois estados para dois povos, em negociações de paz entre as partes. Este princípio já é aceito tanto pela Autoridade Palestina, sob a presidência de Mahmoud Abbas, quanto por Israel. O Estado Palestino se constituiria, com a condição que esse novo estado não seja fonte de futuras agressões contra Israel e não seja um estado estilo “Hamas”, fundamentado nos princípios extremistas do terrorismo e a continuação da luta armada contra Israel. Assim, poderão os dois Estados viver um ao lado do outro, em um ambiente de cooperação, boa vizinhança e respeito mútuo.

Um cessar-fogo temporário foi aceito pelas partes no dia 17/7. Esperemos que ele seja um princípio de acordo entre Israel e os grupos terroristas do Hamas, para evitar vítimas e prejuízos futuros para os dois lados. Devemos encarar esta verdade e triste realidade: se Israel abrir mão de suas capacidades de defesa e depor suas armas, não haverá mais Israel, que será aniquilado. Se o Hamas abre mão de seu arsenal de guerra e de seus princípios de terrorismo e Jihad – haverá paz.

Yoel Barnea é Cônsul Geral de Israel

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