Drashá Sobre Parashat Lech Lechá – 19 anos na morte de Itzchak Rabin z”l

Rabino Uri Lam

Rabino Uri Lam

Por isso cantem uma Canção pela Paz, não enfraqueçam suas orações
Por isso cantem uma Canção pela Paz, em alto e bom tom

Abrão tinha 99 anos quando Deus lhe apareceu e disse: “Eu sou o Todo-Poderoso. Eis a aliança que farei contigo: serás pai de uma multidão de nações e teu nome não será mais Abrão, mas Abraão”. Deus ainda disse a Abraão para não mais chamar sua esposa de Sarai — que significa “minha princesa”; agora é Sara, “a princesa”, princesa de todos.
A marca estabelecida para firmar a Aliança foi a Milá, a circuncisão nos homens. Dali em diante, aqueles que nascessem seriam circuncidados aos 8 dias de vida.

Embora Abraão tivesse a idade de 99 anos e Sara, 89, Deus lhes prometeu um filho. O futuro papai riu-se: “Como assim, um filho a essa altura do campeonato?” Pois teriam um filho sim, e ele iria se chamar Isaac, “Aquele que fez sorrir”. “Estabelecerei Minha aliança com ele, uma aliança eterna”. Dali a um ano, Deus assegurou, teriam um filho que os faria sorrir: Isaac.
Mas se estavam como que sonhando, ainda viviam o presente. Era o momento da circuncisão. No mesmo dia foram circuncisados Abraão, aos 99 anos, e Ismael, 13 anos, seu filho com Hagár; além de todos os homens da sua casa.

Chamou minha atenção, nesta parashá tão rica em eventos e bênçãos determinantes para o destino da identidade judaica, justamente o seu penúltimo versículo: “Neste mesmo dia foram circuncisados Abraão e seu filho Ismael” (Gênesis 17:26). Tradicionalmente consideramos Abraão o primeiro Patriarca do povo judeu, assim como os muçulmanos também o consideram o seu primeiro Patriarca. Em um mesmo dia a circuncisão foi aplicada a ambos: Abraão e Ismael. Um ano depois nasceria Isaac. Ismael, o primeiro nascido árabe; Isaac, o primeiro nascido hebreu.
Mais de 3.500 anos depois, outro Isaac nos faria sorrir. Itzchak Rabin, o primeiro ministro de Israel naquele ano de 1995 era a esperança de uma paz duradoura no Oriente Médio. Nunca antes o povo judeu, nos tempos modernos, esteve tão confiante nesta possibilidade.

Rabin buscava coroar uma vida e uma carreira política vitoriosa com a maior das coroas: a coroa da paz. Ele era o primeiro governante a ter nascido em Jerusalém, em 1922. Lutou na Guerra da Independência, em 1948, na Batalha do Sinai, em 1956, e foi Chefe do Estado-Maior da Tzahal entre 1964 e 1968, quando liderou a campanha vitoriosa na dolorosa Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em 1975, como primeiro-ministro pelo partido trabalhista, já conduzia negociações para um acordo interino com o Egito. Após um período na oposição, retornou entre 1985 e 1990 como Ministro da Defesa de um Governo de Unidade Nacional. Desde 1989 já planejava um plano em etapas para a obtenção da paz com os palestinos. De volta à posição de primeiro-ministro em 1992, avançou cuidadosamente em direção à paz e estabeleceu o fim do estado de guerra com a Jordânia em 1994, ano em que tornou-se Prêmio Nobel da Paz, no dia 10 de dezembro. Em setembro de 1995 havia obtido um acordo interino com os palestinos. Tudo caminhava como uma canção pela paz.
Foi então, em uma praça com dezenas de milhares de pessoas sorrindo e cantando juntas, que o sonho da paz parecia transformar-se em realidade. Itzchak fazia os israelenses sorrirem. Tímido para cantar, arriscou soltar sua voz em Shir Lashalom, uma canção pela paz.

Um outro som rouco, mortal, destruiu o sonho e levou Itzchak Rabin para longe de nós. Akedát Itzchak; o sacrifício, finalmente, infelizmente, estupidamente havia sido levado a cabo. Tiros. O papel que levava uma canção pela paz estava manchado de sangue, perpassado pela bala de um judeu radical tomado pela doença da intolerância.
A paz estava, mais uma vez, adiada.
E então nos recordamos do 19º aniversário da morte de Itzchak Rabin, zichrono livrachá. Neste Shabat iremos estudar a saída de Abrão de sua terra natal para um lugar que ele não sabia onde era. Ao estudarmos todas as implicações desta passagem da Torá que ajuda a moldar a nossa identidade e destino judaicos, sugiro que dediquemos as seguintes palavras a Rabin:
Harêni lomed / lomedet Torá leilui nishmatô shel Itzchak ben Rosa veNechemya Rabin.
Estou estudando Torá para a elevação da alma de Itzchak Rabin, filho de Rosa e Nechemia.

O penúltimo versículo de Lech Lechá diz: “Neste mesmo dia foram circuncisados Abraão e Ismael”. O último versículo, o do estabelecimento da paz entre israelenses e árabes, ainda está para ser escrito. É nosso dever escrevermos este versículo com nossas ações. Naquele dia cantaremos A Canção pela Paz Alcançada, completando aquilo que Itzchak começou.

Rabino Uri Lam
SIB – Sociedade Israelita da Bahia

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