Drashá sobre Parashat Vaigash

A reconciliação é filha do tempo

José parece determinado a castigar seus irmãos pelo ponto fraco: deter Benjamin, o irmão caçula, como servo no Egito, e mandar os demais de volta para casa. Judá então se coloca como porta-voz dos demais e busca mexer com os sentimentos de José: “A alma de Jacob está ligada à alma de Benjamin. Ao ver que o rapaz não está com os demais, morrerá.” E propõe: “Eu lhe imploro, fique comigo como escravo no lugar dele. Como posso encontrar meu pai se Benjamin não for comigo?” No final da parashá anterior, Judá já havia afirmado que se Benjamin fosse detido, todos os irmãos ficariam com ele como escravos no Egito. Por sua vez, José, que já havia chorado duas vezes fora da vista dos demais, ao vê-los assumir a responsabilidade pelo irmão mais novo e ao rever Benjamin, não conteve as lágrimas diante deles, dispensou seus guardas e pediu para ficar a sós com os irmãos. Suas primeiras palavras foram: “Eu sou José! Meu pai ainda vive?”

Em seguida, José, o famoso intérprete de sonhos, faz uma linda releitura de tudo o que havia ocorrido naqueles anos “na vida real”. Deus sabe o que faz: Ele o enviara ao Egito antes a fim de criar as condições necessárias à sobrevivência de sua família durante a seca que assolaria toda a região. Em outras palavras: visto como um fato isolado, o que os irmãos fizeram com José foi terrível. Mas quando se é capaz de enxergar o contexto no tempo, o que ocorreu foi pelo bem de todos. Mais uma maneira de se dizer o quanto o tempo é sagrado, mais do que o espaço.

Quando os irmãos chegaram do Egito à casa de Jacob, anunciaram com entusiasmo: “Pai, José está vivo e governa todo o Egito!” Após tantos anos, Jacob não acreditou; já eram muitos os anos de luto pelo filho querido. Só quando viu uma prova concreta, os carros que José enviara para levá-lo, é que o velho patriarca literalmente reviveu: a vida voltou a ter sentido.

Jacob desceu com toda a sua família ao Egito. Ao reencontrar o pai, José abraçou-o intensamente e chorou, mas desta vez de alegria. Eles foram instalados nas férteis terras de Góshen. E ali, no Egito, eles frutificaram e se multiplicaram muito.

Rabino Uri Lam

SIB – Sociedade Israelita da Bahia

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