Auschwitz S/A. – Uma Reflexão sobre o 70º aniversário do fim do genocídio nazista.

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Com 5 anos é tempo de começar a estudar Mikrá (Torá Escrita)

Com 10 anos é tempo de começar a estudar Mishná (Torá Oral)

Com 13 anos é tempo de começar a cumprir Mitzvot
Com 15 anos é tempo de começar a estudar Talmud
Com 18 anos é tempo de se casar.

Com 20 anos é tempo de buscar parnassá (sustento, trabalho)
Com 30 anos é tempo de chegar à plenitude da força física.
Com 40 anos é tempo de chegar à plenitude do entendimento.

Com 50 anos é tempo de começar a dar conselhos.
Com 60 anos é tempo de começar a envelhecer.
Com 70 anos é chegado o tempo da velhice.
(inspirado em Pirkei Avot, A Ética dos Antepassados)

Auschwitz S/A. Uma Reflexão sobre o 70º aniversário do fim do genocídio nazista.

Em 2015 recordamos os 70 anos do fim da 2a Guerra Mundial. Para o povo judeu e para toda a humanidade, este ano também fica marcado por um ato de libertação de um lugar que será para sempre sinônimo de genocídio em escala industrial: Auschwitz.
Neste ano recordamos a infame Marcha da Morte, na qual tantos e tantos dos nossos pais, avós e bisavós foram forçados a marchar para fora de Auschwitz, passando por baixo da famigerada placa com dizeres tão cínicos: Arbeit Macht Frei, o trabalho liberta.
Setenta anos depois, os filhos e filhas daqueles judeus e judias de Auschwitz e de tantos outros campos de trabalhos forçados e de extermínio deveriam ter passado pelas fases da vida indicadas na Ética dos Antepassados. Deveriam, se não tivessem sido mortos ou impedidos de vir ao mundo pela sandice humana.
No entanto, felizmente alguns filhos de sobreviventes da Shoá insistiram em vir ao mundo. Foram teimosos em viver, em estudar, casar, ter filhos e transmitir a eles os valores mais caros ao nosso povo.
Setenta anos depois, lemos muitos livros, escutamos incontáveis e dolorosos depoimentos de sobreviventes, assistimos diversos filmes e documentários que tentam esclarecer a sombra maldita do nazismo e da tragédia que assolou nosso povo. Alguns livros apresentam-nos como vítimas; outros alimentam a vitimização. Alguns nos apresentam como vingadores. Outros apontam para aspectos líricos, dramáticos, cômicos, milagrosos, trágicos daqueles dias.
Há alguns anos viajei para participar de uma nova marcha: a Marcha da Vida, que passa pelo mesmo portão de Auschwitz, agora acompanhado de jovens e velhos, bandeiras de Israel e de movimentos juvenis judaicos, gente sorrindo e chorando ao mesmo tempo: gente viva, filhos e filhas, netos e netas, bisnetos já.
Setenta anos se passaram. Auschwitz hoje é um museu dos horrores, preservado, como tantos outros campos, como testemunha macabra de um dos períodos de maior desumanidade na história da humanidade.
Setenta anos depois, assistimos, estarrecidos, outros genocídios ocorrendo, principalmente na África e nos países árabes que, politicamente enfraquecidos, permitem o avanço de grupos de exterminadores, de monstros que matam em nome de uma hegemonia monstruosa.
Por isso, depois de setenta anos, continuamos a marchar pela vida sob o portão infame de Auschwitz. Por isso os filmes, livros, documentários, peças de teatro, danças, tudo o que simboliza a cultura e a humanidade continuam a gritar pela vida. Contra a máquina de matar, contra a empresa estatal, alimentada por tantas empresas privadas de tirar vidas e produzir morte, estamos aqui para produzir vida: cultura, reflexão, conexões verdadeiras entre gente.
Aos setenta anos do fim da 2a Guerra Mundial, aos setenta anos do fim de Auschwitz, é chegado o momento de podermos viver 70 anos conforme recomendaram nossos sábios, de abençoada memória. Talvez não nos mesmos tempos nem na mesma sequência indicados há quase 2 mil anos; mas na mesma vibração de estudos, trabalho, construção de família e amor à vida.

Rabino Uri Lam
SIB – Sociedade Israelita da Bahia

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Um pensamento sobre “Auschwitz S/A. – Uma Reflexão sobre o 70º aniversário do fim do genocídio nazista.

  1. Quando eu era criança ,queria assistir a um filme na tv, mas seria transmitido em horário bem tarde para a minha idade , meu pai era vivo naquele tempo, e me disse que eu iria chorar ao assistir, e me proibiu. Criança tem cada uma, bem tarde eu engatinhei pelo corredor da nossa casa, para meus pais não me verem, abaixei o volume todo da tv, e liguei o aparelho para assistir ao filme que meu pai já havia proibido, e assisti e de fato chorei e depois não consegui dormir , tive que acordar meu pai para contar o que eu tinha feito e pedir perdão, aquele filme mudou minha existência e sei que será por toda minha vida . O filme era sobre o holocausto e campos de concentração .nossa, não devemos nunca desobedecer nossos pais, tenho 48 anos hoje ,muito tempo se passou desde aquela noite , mais ainda dói , muito mesmo como se fosse comigo , embora eu saiba que ninguém nunca será capaz de medir a intensidade da dor , de quem viveu aquela monstruosidade insana. outro dia li uma frase de um rabino, e trouxe alento ao meu coração dizia assim…Os maus, a violência, as perseguições causam medo naqueles que tem apenas um único mundo e muitos deuses.Mas, para os judeus e os que se tornaram judeus por opção , que temos dois mundos e um único Dús, não nos causa medo algum. Rabi Yossef Yitschac. humildemente por Marilda Lopes caldas de Santana Freitas.

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