Parashát Behaalotechá

Rabino Uri Lam, SIB, junho de 2015

Parasha - Kotel
O leme da minha vida Deus é quem faz governar. 
E quando alguém me pergunta como se faz pra nadar, 
explico que eu não navego, quem me navega é o mar. 
(Paulinho da Viola)
Isso é uma ordem: vá em frente, ilumine o mundo
Deus ordenou que Moisés dissesse ao sacerdote Aarão, seu irmão: “Ao te ergueres às lâmpadas diante da Menorá, serão acesas sete lâmpadas” (Núm. 8:2). Conta um midrash (Bamidbar Raba 16) que quando o Rei Salomão construiu o Beit Hamikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém, ele o fez com janelas estreitas por dentro e largas por fora. Seu intuito era mostrar, através da estética do Templo, que este já estava pleno de luz e que não precisava da iluminação extra da Menorá. Por que? Porque a luz da bondade, da sabedoria e do amor gerados no Templo deveriam escapar por suas janelas e expandir-se o mundo inteiro.
Mais adiante a Torá se dedica a explicar o papel dos homens da tribo de Levi, que foram separados dos demais do povo de Israel para servirem às obras do Mishkán, a morada da Presença Divina, esta representada por uma coluna de nuvem durante o dia e por uma coluna de fogo, à noite. Durante repetidas passagens, a Torá mostra que quando a Presença Divina se levantava acima do Mishkán o povo seguia viagem rumo à Terra Prometida; mas quando a Shechiná pairava preenchendo o Mishkán, o povo permanecia estacionado ao redor. A Presença Divina determinava os avanços e pausas do povo de Israel.
Então de repente tudo se inverte
Numa passagem intrigante, cercada por duas letras hebraicas “nun” invertidas, lemos: “Quando a arca se punha em viagem, Moisés dizia ‘Levanta-Te, Eterno…’ e quando esta repousava [Moisés] dizia ‘Repousa, Eterno’” (Núm. 10:35-36).
Até hoje nós recitamos a passagem Vaiehi Binsôa no final dos nossos serviços religiosos, ao retirarmos e ao retornarmos a Torá para o Aron Hakódesh. Mas na nossa parashá ela é um divisor de águas: antes dela, o que determinava a movimentação do povo pelo deserto era a Presença Divina; depois dela, parece que a movimentação da Presença Divina dependia da iniciativa de Israel: é Moisés quem invoca Deus a levantar ou a descansar. Afinal, quem dá ordens a quem? Somos nós que navegamos ou quem nos navega é a Presença Divina?
Toda a parashá parece indicar que nossas iniciativas na vida dependem tanto de Deus quanto as atitudes de Deus dependem de nossas iniciativas. Sentimos a Sua Presença ao acendermos as luzes de Shabat, as luzes das festas, a luzes dos estudos e tantas outras luzes. Quando temos a iniciativa de fazer algo bom, se aguçarmos os ouvidos será possível escutar o mandamento Divino: “Vá em frente, ilumine o mundo”.
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