Parashat Chukát

Rabino Uri Lam, junho 2015

Moisés fez uma serpente de cobre e a colocou sobre o poste. Se uma serpente mordesse uma pessoa, esta mirava para a serpente de cobre e vivia. (Números 21:9)

 

Parasha - rolo antigo
Aos 25 anos o jovem Ezequias tornou-se rei de Judá e passou a reinar sobre Jerusalém.  Dele se diz que nunca se afastou de Deus e cumpriu todos os Seus mandamentos, ou seja, os mesmos entregues a Moisés. Durante o reinado, Ezequias retirou de Jerusalém os altares, quebrou as imagens, cortou a Asherá – árvore sob a qual eram realizados cultos idólatras – e triturou a Nachásh Hanechóshet, a Serpente de Cobre um dia feita por Moisés a mando de Deus.
É compreensível que Ezequias destruísse tudo o que pudesse levar o povo de Israel a cultuar outros deuses e a se afastar de Deus, mas qual a razão para destruir uma obra de Moisés? E que ousadia triturar uma peça confeccionada por ordem de Deus!
No livro de Gênesis a serpente aparece junto à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Por intervenção dela, Adão e Eva, ao comerem do fruto que lhes deu a consciência, menosprezaram os frutos de outra árvore do Jardim do Éden: a Árvore da Vida. Adão e Eva ganharam direito ao livre-arbítrio, mas deixaram de ser imortais. Pela primeira vez a serpente passou a representar a morte.
Durante a caminhada do povo de Israel pelo deserto, o momento não era dos melhores. Miriam e Aarão haviam morrido em um intervalo de apenas cinco meses. Miriam era a profetisa das águas e sem ela a água escasseou. Conta um midrash que, graças a Aarão, as nuvens e os ventos varriam o deserto e tornavam a caminhada mais fácil, além de manterem distantes cobras e outros animais peçonhentos. Com a sua morte os ventos cessaram, as cobras se aproximaram e passaram a morder as pessoas, que morreram aos montes. Foi então que Moisés recebeu a ordem de Deus para confeccionar uma serpente de cobre e pendurá-la no alto de um poste. Todo aquele que fosse mordido e olhasse para ela seria curado. Assim o sinônimo de morte transformou-se em sinônimo de vida.
Alguns comentaristas explicam que não era a serpente de cobre que curava. O que ela propiciava era que os israelitas elevassem seus olhos e almas para o alto, para Deus – a cura vinha de Deus. Então por que, muitos anos mais tarde, o rei Ezequias a destruiu? Porque ela foi transformada pelo povo de meio em fim; o que era um instrumento passou a ser visto como um deus: “Porque até aquele dia os israelitas queimavam incenso para ela e a chamavam de Nechushtán.” (2 Reis 18:4). 
A serpente de cobre é o símbolo da Medicina por excelência. Mas os bons médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais da área de saúde devem ter consciência de que não são deuses, mas instrumentos de Deus em favor da vida.
Que possamos nos inspirar nas palavras atribuídas a Maimônides em sua Oração do Médico: “A Eterna Providência designou-me para cuidar da vida e da saúde das Suas criaturas. Que o amor à minha arte atue em mim o tempo todo, que nunca a avareza, a mesquinhez, nem a sede pela glória ou por uma grande reputação estejam em minha mente. Deus, Você me designou para cuidar da vida e da morte das Suas criaturas: estou aqui, pronto para a minha vocação”.
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