Parashiot Mechubarot Matot-Mas’ê, julho 2015

Rabino Uri Lam

Quando as Pedras se transformaram em Palavras

Mitzpeh Ramon Israel

Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade)

Todo empreendimento requer planejamento. Toda realização pede sonhos. O compositor Raul Seixas dizia: “Sonho que se sonha só é só um sonho… mas sonho que se sonha junto é realidade”. Quando alguém diz algo fora do contexto, dizem-lhe “você está viajando!”. Quando muitos passam a defender a mesma ideia, a viagem se torna realidade.

Deus sonhava sozinho com a libertação de Israel. Um dia Ele compartilhou seu sonho com Moisés e Aarão que a compartilharam com o povo: “Vocês estão viajando”, devem ter dito os israelitas. Mas aos poucos todos estavam na maior das viagens de nosso povo, uma viagem de iniciação espiritual coletiva. Ao longo de quarenta anos nossos antepassados passaram por quarenta locais diferentes até alcançarem as fronteiras de Israel. Houve momentos de sonho, como na abertura do Mar Vermelho e na entrega da Torá no Sinai. E houve outros de pesadelo que juntos causaram a morte de toda uma geração. Dos veteranos, Moisés é remanescente, e também ele não entrará em Israel. Novas lideranças são recomendadas e assumem o comando.

E quando achamos que sabemos as respostas, vem Deus e muda as perguntas. Sobrevivemos ao deserto, aprendemos a lidar com cada pedra no meio do caminho e nossos olhos jamais se esquecerão de cada uma delas. Mas é chegada a hora de olhar adiante. Novas perguntas sobre a divisão de terras, fronteiras de norte a sul e do mar Mediterrâneo ao rio Jordão.

Mas nós ainda não entramos em Israel! É assim mesmo. Assim que terminamos de planejar e realizar um projeto, é preciso planejar novamente, buscar novos objetivos, ratificar o que funciona e retificar o que já não atende às necessidades atuais. São criadas cidades de refúgio para os que mataram por acidente, a fim de evitar mortes por vingança. A lei de heranças, já modificada uma vez a pedido das filhas de Tzelofchad – atendidas em seu direito de herdar o patrimônio do pai – volta a ser questionada e é reformada outra vez: o direito das mulheres à herança é mantido, mas agora elas devem se casar dentro da própria tribo, para não mexer no equilíbrio de terras da confederação tribal. Reforma-se a lei para manter o espírito de justiça e de bondade da própria lei.

É com quarenta anos de estrada, planejamento e maturidade para as mudanças necessárias à nova etapa que se encerra o quarto livro da Torá, Bamidbar, quando Do Deserto as pedras se transformarão em Devarim, Palavras que recontarão a saga de Israel e irão nos preparar para a entrada na Terra Prometida.

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