Parashat Ékev

Rabino Uri Lam, agosto de 2015

 

atitude

O povo de Israel está muito próximo do início de uma nova vida na Terra Prometida. A eles Moisés dirige, em termos gerais, as seguintes palavras de estímulo: “Meus caros, se vocês ouvirem e levarem adiante os valores das mitzvot (mandamentos), Deus irá amá-los e abençoá-los, e vocês serão muitos e prósperos”.

Contudo, a entrada em Israel não vem de graça; é uma conquista. Quarenta anos foram necessários para chegar até aqui, mas ainda não foram suficientes. Agora, em Israel, a vida começa para valer – e não será fácil. Os israelitas terão que enfrentar povos hostis e, ao mesmo tempo, devem se manter fiéis aos seus valores. “Não os temam”, adverte Moisés, “porque  o teu Deus é grande e poderoso. Não se deixem levar pelo ouro e prata deles”.

Para enfrentar os desafios do futuro, não se pode esquecer o passado: “Lembrem-se de todo o percurso de quarenta anos no deserto em que vocês foram guiados por Deus. Quando tiveram fome, Ele lhes deu o maná e água tirada da rocha, para que soubessem que tudo vem de Deus. Ele é quem lhes dá forças para serem prósperos e, assim, sustentarem a aliança. Por isso, cumpram as mitzvot e sejam fiéis a Ele”.

Todos nós temos sonhos. Na adolescência, muitas vezes sentimo-nos escravos de valores que não reconhecemos como nossos e nos rebelamos. Já um pouco mais “crescidos”, muitas vezes consideramos cada conquista como fruto unicamente do nosso esforço. Alguns consideram até que descobriram uma trilha secreta, mais fácil e rápida, até a Terra Prometida; então relaxam e desfrutam. Neste momento, muitos deixam de ouvir as advertências de Moisés para não nos deixarmos levar somente pelo que agrada aos nossos desejos pessoais. Nesta hora, providencialmente, costuma vir um tombo.

“Por que eu mereço isso?”, podemos pensar. E “quando coisas ruins acontecem a pessoas boas”, como diz o rabino Harold Kushner, temos a oportunidade de refletir e reconsiderar. Quebramos as tábuas e, agora, precisamos recolher os cacos e reescrevê-las. Feito isso, é hora de recomeçar — não pela “trilha”, mas ao longo de todo o deserto.

Neste momento, depois de todo esforço, vencemos! Vencemos? Ainda não.  “Nova terra, novos ares, novo destino”, ouvi certa vez do rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-Americano “Marshall T. Meyer”.  Antes tínhamos Moisés para nos guiar, encorajar e advertir. Agora, somos nós e Deus. Então ouvimos o eco da voz de Moisés como se nos dissesse assim: “Meus queridos, agora que vocês chegaram na terra Prometida, não me desapontem. Ao entrarem, continuem estudando e cumprindo os mandamentos e a terra poderá retribuir com leite e mel. Se vocês se dedicarem à relação com Deus com todo o coração e com toda a alma, de modo ético e justo, Ele fará com que “chova na sua horta”; tudo o que plantarem crescerá e dará frutos, dos quais vocês irão comer  e se sentirão satisfeitos”.

Nada se conquista sem fé em Deus, um longo tempo de preparação e muito esforço na realização. Os resultados, porém, valem a pena. Vamos em frente!

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