Comentários sobre Parashat SHOFTIM – Devarim

Rogério Palmeira*

“Juizes devem ser apontados para julgar o povo com justiça “, continua Moshe em   sua última prédica ,assim esta parashah recebe o nome de Shoftim, que  significa Juízes.

Parashat Shoftim

 

Encontramos uma  riqueza de temas que variam desde as regras para as cortes de justiça, escolhas de reis e  para sacerdotes, até leis referentes a guerra. Quando penso na incrível diversidade contida nesta parashah, me vem a cabeça que o Judaísmo é mais que uma religião e sim como dizia o rabino Mordechai Kaplan, “ Uma civilização”, com seus aspecto religiosos, culturais, políticos  e sociais
Ao falar sobre a justiça, não podemos deixar de pensar  nos noticiários que  falam o tempo todo de operações policiais e processos de justiça envolvendo tantos nomes famosos e poderosos, mas gostaria de focar no aspecto mais profundo da palavra.  Certamente um aspecto marcante da mentalidade judaica em todas as épocas é a do justiça social, neste texto somos estimulados nesta parasha “a  buscar Justiça” Será por isso que  nesta busca por justiça, o povo judeu se notabilizou em inúmeras conquistas sociais, culturais e científicas? Assim lemos na Torah que agradará mais a D-us fazer justiça que oferecer um sacríficio…  
Ao falar do estabelecimento da monarquia na Terra Prometida., adverte-se que a Realeza, seria acompanhada de obrigações e limites em seus privilégios,  pois o Rei Israelita não deveria ter muitos cavalos ou muitas esposas”, nem muito “ouro ou prata” e ainda escrever ele mesmo um “ Sefer Torah” onde pudesse ler. Junto com direitos vem obrigações. Ainda encontramos nesta porção advertências contra práticas de “feitiçarias”.  Outra orientação curiosa…a construção de cidades abrigos para aquelas pessoas que cometessem crimes não-intencionais, evitando-se assim que fossem vítimas das infames “justiças pelas próprias mãos”. Curiosamente temos ainda orientações sobre a Guerra. Sendo a Paz, Shalom, um Valor Supremo dentro do Judaísmo, podemos enxergar aqui uma espécie de primeira Convenção de Genebra e uma  precursora das orientações ambientalistas, pois somos proibidos de destruir “árvores”.  Acho que mesmo preconizando a Paz, é mais realista tenta regular e mediar os conflitos, a fantasiosamente, imaginar que a humanidade vai deixar de Guerrear de uma hora para outra. Estas regras referentes a Guerra, que incluem a proibição de derrubar árvores frutíferas, foram depois expandidas  pelos nossos Sábios para situações do dia a dia, assim o texto  Sefer HaChinuch (seculo 13) ensina-nos que este mandamento ensina-nos a amar o que é bom e nos ligarmos a isto, para que o que é bom, se torne parte de nós” e assim sendo perceberemos que “ este é o caminho do Justo e daqueles  que melhoram a sociedade, dos  que amam a justiça e se alegram com o que é Bom nas pessoas e as trazem junto à Torah “.

(*)Rogério Palmeira.
Médico, professor de Medicina e Diretor do Chevra-Kadisha Cemitério Israelita da Bahia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s