Parashat Ki Tavo

Parasha

Na porção desta semana temos a oportunidade de aprender sobre os seguintes temas:

  • Os primeiros frutos (Bikurim) e os dízimos, que eram levados ao Bet Hamikdash.
  • Bênçãos e maldições (como consequências do comportamento)
  • Israel como um Povo Especial

Podemos retirar lições primorosas sobre todos esses assuntos. Por exemplo, ao levarem os primeiros frutos ao Bet Hamikdash, os Filhos de Israel tinha que fazer uma oração (Meu pai era um arameu errante que desceu ao Egito e lá peregrinou, pequeno em número. Lá ele se tornou uma nação grande, poderosa e populosa. E os egípcios nos trataram mal e nos afligiram e puseram sobre nós dura servidão (…). Essa fórmula revela alguns dados interessantes. O primeiro é o reconhecimento de uma origem comum e, de certa forma, humilde (pequeno em número). Quem é o pai arameu? Abraham que saíra de Ur? Yitzhak? Que, assim como Abraham, passou pelo Egito? Ou Yaakov? Que era de fato neto de arameus no seu costado materno e, além disso, morreu no Egito após ter se mudado para lá por causa de seu filho Yosef?

De qualquer forma, foi desse “arameu” que todo o povo se originou, chegando a ser uma nação e vivendo em sua própria terra. A lição é de que mesmo quando prosperamos, precisamos nos lembrar de que fomos abençoados e temos condições de doar. Sem a ajuda do Altíssimo, não seríamos o que somos, não teríamos o que temos. Por isso, podíamos levar os primeiros frutos. O rabino Marc D. Angel, em seu comentário semanal sobre as Parashiot para o website http://www.jewishideas.org, viu nessa oração o contra ponto para o orgulho e as frustrações da sociedade americana, que produz criminosos como consequência de não alcançarem o sonho americano, que é o sonho de vencer e vencer e ser sempre o número 1. Conhecer nossos potenciais e limitações serviria para gerar expectativas mais realistas evitaria a revolta resultante das frustações mencionadas acima.
Há também uma interessante reflexão que pode ser feita a partir da Mitzvá negativa (Mitzvot negativas são aquelas que nos comandam a NÃO fazer algo) de não colocar um obstáculo na frente de um cego, que se encontra nesta porção. Não resta dúvida sobre o entendimento literal da proibição. Ninguém deverá colocar algo na frente de um cego para fazê-lo tropeçar e/ou cair. Alguém faria isso? A Torá precisa nos dizer isso? Quem não se lembra de quando, não nós (?), mas nossos colegas de escola primária ou secundária pregavam trotes e coisas do tipo uns com os outros ou com os professores? Muitas vezes, não se descobria quem havia aprontado. Ou seja, há maldades feitas às escuras. Há coisas que só nós sabemos que as fizemos, que os outros não podem ver.
É nesse contexto, que “não podemos colocar um obstáculo na frente de um cego”. Rashi, o grande comentarista bíblico, (como diria o rabino Ary Glikin) percebe um sentido mais amplo na Mitzvá. Para ele, há um tipo de cego que não é necessariamente portador de alguma deficiência física. Há o ingênuo, o inocente, o ignorante. Ninguém deve se aproveitar da condição dele para tirar proveito ou levá-lo, intencionalmente, a uma situação de desvantagem. Ninguém deve aconselhá-lo de uma maneira que, sabidamente, virá a prejudicá-lo ou levá-lo ao erro. O que Rashi nos ensina é que sempre há algo mais a aprender das Mitzvot. Há sempre algo a aprender além do P’shat, o sentido literal.
É por isso que a cada ano há uma novidade nas Parashiot. Seja sobre o comportamento humano, como no ensinamento de Rashi. Ou sobre como devemos ver a nós mesmos, como na Mitzvá de Bikurim. Há sempre uma novidade nesse antigo novo livro que é a Torá! Ou será que é um novo antigo livro?

Shabat Shalom!
Luciano Ariel Gomes

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