Parashat Noah

 Parashat Noah

Luciano Ariel Gomes

Estamos no ano 5776 do nosso Luach e no ano 2015 no calendário comum.
Ou seja, vários, ou alguns, anos se passaram desde que eventos marcantes em nossa história nos causaram dor e provocaram mudanças. Podemos citar a destruição do Segundo Templo, a dispersão, as perseguições e ameaças que vieram ao povo judeu por simplesmente confessar a crença no Deus Único e não abrir mão disso. O antissemitíssimo e, como consequência, os pogroms, as inquisições, a Shoá, as lutas do – e as guerras contra – o Estado de Israel. Lutas e guerras que estão aí hoje. Lutas e guerras que são nossas.

No entanto, nossa sobrevivência é um desafio ao cético, ao racional, ao materialista. Às vezes a nós mesmos.
Como explicar tudo isso simplesmente pela lógica natural das coisas e das relações? Como explicar, por exemplo, que o único declaradamente aliado de Israel, os Estudos Unidos, toma decisões e propõe acordos a países inimigos de Israel que juram sua destruição? Como explicar que jornais americanos sigam o exemplo de periódicos europeus que colocam Israel como o culpado por ser a vítima de ataques terroristas?

O leitor pode estar se perguntando, qual é a relação disso tudo com a Parashat Noah, nossa  porção desta semana? Noah (a partir daqui, Noé) é descrito como “um justo em suas gerações”. Não trazemos nenhuma novidade quando dizemos que os rabinos entenderam aqui que Noé não era tão justo assim. Ele, segundo a leitura rabínica, era justo naquelas gerações. Gerações em que a falta de valores que pudessem nortear o ser humano era a norma. Os valores já existiam, no entanto, haviam sido esquecidos ou abertamente abandonados. Eis que surge Noé, um homem justo naquele contexto. Um homem que, segundo a Torá, andou com Deus. Eis aqui o que mostrou aos sábios o que faltava na índole de Noé. Ele andou com Deus. Obviamente, andar com Deus é um privilégio, uma benção. No entanto, no caso de Noé, ele andou com Deus, mas não com os seus semelhantes. Vejamos, ele não conseguiu convencer ninguém fora de sua família a acompanhá-lo no projeto da arca. O relato da Torá deixa claro que apenas Noé, seus três filhos e suas respectivas famílias entraram na arca, além dos animais é claro. Ao compararmos Noé com Abraham (a partir daqui, Abraham mesmo), notamos que enquanto o primeiro tinha um certo nível de justiça em seu ser, afinal de contas ele mereceu ser uma espécie de novo Adam (Adão), o segundo mereceu ser o pai de Israel, ele mereceu ser o patriarca do povo que seria o guardião da Torá. E, convenhamos, com todos os nossos erros, com todas as perseguições e abusos sofridos acima mencionados, nossa identidade está intacta, Baruch Hashem! Podíamos associar nossa missão de guardiões da Torá relacionando-a apenas ao nosso serviço ao Altíssimo. No entanto, se o fizéssemos, seríamos justos à semelhança de Noé. Para sermos verdadeiros filhos de Abraham era necessário que nos destacássemos, deixando a devida contribuição, nas ciências (trazendo o conhecimento), na educação, na medicina, na economia, na filantropia, nas tecnologias, na comunicação e por aí vai. Tudo isso trouxe inquestionáveis à humanidade, não obstante, sem negligenciar o serviço a Deus. Sempre houve rabinos brilhantes em todas as gerações que não deixaram a peteca cair. Isso tudo representa o que é ser filho de Abraham, justo à sua semelhança.

Então, como explicar o antissemitismo? Como entender esse fenômeno que se manifesta em vários setores da sociedade, em praticamente todos os países? Sem dúvida alguma, essas perguntas nos têm acompanhado há milênios.

Todos os que se levantam hoje contra Israel o fazem crendo piamente estar corretos segundo seus valores “éticos” e “morais”. Defendem os “direitos” daqueles que seus governos mesmo exploraram, “direitos” que seus próprios governos criaram baseados em seus erros para com esses povos. Consideram-se os “justos” de sua geração.

Israel precisa cada vez mais de que nós sejamos Israel, o filho de Abraham que se importa com o seu semelhante. Aqui e em Eretz, onde judeus estão sendo atacados nas ruas de seu país por serem judeus.

Chaverim Col Israel, todo o povo de Israel precisa estar unido nesse momento em que o mundo mais uma vez faz o uso de venda nos seus olhos. Não podemos nos deixar levar por falácias, assim como não podemos deixar de reconhecer nossos erros. Noé não deixou de ser considerado um justo pleno pelos erros que cometeu (como sua famosa bebedeira), mas por sua falta de empatia, por não ter demonstrado a devida hospitalidade.
Abraham também cometeu erros, assim como Yaacov, seu neto, que deu nome ao povo. Mas, seus valores, sua fidelidade ao legado que, como um bastão em uma corrida, transmitiria a nós para todas as gerações, os norteavam sempre. Assim como a nós.

Portanto, não busquemos o pseudomoralismo dos que se colocam contra um estado democrático, ligado ao conhecimento e que busca a justiça além de sua geração.
Como dissemos no início, nossa luta é hoje no ano 5776 do nosso Luach e no ano 2015, caminhando para 2016, no calendário comum.

Shabat Shalom!

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