Parashat B’Shalach – Os Milagres em nossa Vida.

Parashat BShalach

Nesta parashat, B’shalah-“Quando ele deixou partir””- D-us Diz a Moshé para acamparem a margem do Mar dos Sargaços-o Mar Vermelho-ao mesmo tempo o Faraó muda de ideia sobre ter deixado os Israelitas partirem livres e resolve trazê-los de volta. Com os egípcios em seu encalço, os israelitas contam com mais um milagre, o maior na tradição judaica, D-us separa as águas do Mar Vermelho, salvando os ex-escravos de seus antigos senhores.  Neste ponto existe um belo midrash do Talmud ( Sotah 36b) que conta que antes do grande milagre da separação das águas, os israelitas com medo, diziam um para o outro-“eu não serei  o primeiro a entrar ”. Neste ponto, quando as águas ainda não estavam completamente baixas, Aminadav e Nachson, ambos da Tribo de Yehuda(Judá), se lançaram ao mar. Deste modo precipitaram 02 fatos, segundo o midrash, as águas baixaram de vez e garantiram o domínio deste tribo no futuro, com o reino de Judá.

Podemos enxergar aqui também um símbolo da confiança em Hashem. Afinal se eram conduzidos por uma coluna de Fogo e Fumaça se noite ou dia-para alguns comentarista Anjos- confiança não era o mínimo que se esperava?

Logo após a travessia do mar e do exército egípcio se afogar com a reunião das águas, Miriam, a Profetisa irmã de Moshé e Aaron, lidera as mulheres na bela canção do Mar., A bela Shir HaYam, belo poema presente na liturgia do Shabat, segundo os estudiosos um dos mais antigos textos da nossa rica tradição.  Mas outro belo midrash  nos conta que  Vendo os israelitas dançando e cantando, os Anjos no Céu também se alegram e começam a cantar, quando O Eterno, os repreende dizendo que  compreende a alegria dos israelitas, mas reclama “como os anjos podem se alegrar quando alguns de seus filhos se afogam? “

Neste mesma parashah também conta-se sobre o alimento que veio do céu, o Maná. Mais uma vez se contava com a confiança de que cada dia devesse ser vivido de modo singular, pois não se era permitido acumular mais do que o necessário, deixando para o dia seguinte, pois o Maná se deterioraria. Na véspera do Shabat sim podia-se colher o dobro.

Neste parashat  é vencida uma batalha contra os Amalekitas. Recebemos o mandamento de obscurecer a lembrança do Nome de Amalek, o eterno inimigo dos judeus, transmutado em muitas faces ao longo da história- de AmaleK a Ahmadinejad, passando por Hitler.

Mas com tantos milagres e vitórias, recordo-me de outro midrash que comenta que houve 02 homens que durante a travessia do Mar Vermelho, ficaram um se queixando ao outro sobre a lama sob seus pés, que haviam pedras, etc.  O maior milagre ocorrendo ali ao seu lado e eles nem ergueram seus olhos para aprecia-lo. Imaginem a coragem de Aminadav e Nachson, o deslumbramento de Miriam, a incrível capacidade de liderança de Moshe com o povo se queixando o tempo todo. Mas  quantas vezes deixamos de observar as maravilhas da abertura do Mar em nossas vidas? Quantas vezes não deixamos de ter confiança na Vida e em nós mesmos? Afinal confiança é ter fiança, ter fé.

Rogério Palmeira, Médico, Professor de medicina e Diretor do Cemitério Israelita da Bahia.

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