Parashat Vayicrá

Parashat Vayicrá

Luciano Ariel Gomes

A Parashá desta semana é a primeira do livro que também leva o seu nome, Vayicrá – E Chamou. Ela nos traz orientações de como deveria proceder, no contexto do Mishkan  (o Tabernáculo), o individuo que cometia certos erros. São erros referentes  à conduta ritual, mas também à conduta ética para com o seu semelhante.

Chama à atenção a frase: “Quando ele se der conta de sua culpa, em qualquer destas questões, deverá confessar aquilo em relação ao que pecou” *(5:5).

Sabemos que a Torá contem 613 mitzvot (preceitos). Dessas, 365 são negativas ( o que NÃO devemos fazer) e as demais 248 são positivas (o que, SIM, devemos fazer). O conhecimento das mesmas é tão importante para o nosso povo que o RaMbaM, em seu Sefer Hamitzvot, enumera essas mitzvot para que pudéssemos ter acesso a elas com facilidade. Vale salientar que muitas delas só podem ser cumpridas na Terra de Israel, fato que ratifica nossa ligação com a Terra Santa. No entanto, não podemos deixar de observar que os preceitos da Torá estão intimamente ligados ao que significa ser ético.  Um exemplo claro disso é o que encontramos já ao final das parashá: “…Quando alguém pecar e cometer um delito contra o Eterno ao lidar de forma enganosa para com o seu companheiro, em uma questão de depósito ou promessa…”* (5:21). A leitura nos mostrará que há um sacrifício a ser oferecido neste caso, como em vários outros casos em que transgressões são cometidas. Porém, mais importante que o sacrifício pela transgressão é o fato de que a Torá está a nos ensinar que há um problema sim em enganar o outro, em usurpar o seu direito, em decepcioná-lo naquilo que é justo.

Isso deve ser dito porque há aqueles que tentam desqualificar a Torá. Alguns a tratam como um ensinamento ultrapassado, do qual não se pode mais retirar ensinamento prático para os dias de hoje. E quando nos concentramos no espírito do que a Torá nos diz, vemos que ela é mais atual do que nunca. Ecologia, cuidado para com os animais, ética profissional e pessoal, justiça social, ordem pública, higiene e saúde. Tudo isso e mais, pode ser aprendido da Torá. E tudo isso com um profundo significado espiritual e ético. Os nossos sábios jamais deixaram de entender a Torá em seu tempo e esse é um dos nossos segredos.

Além do mais, o ensino da Torá parece querer de nós que nossas ações sejam pensadas. E se falharmos, temos como nos corrigir. A confissão exigida do indivíduo que pecava não tinha o objetivo de humilhá-lo e sim de conscientizá-lo de que o que fizera não havia trazido benefício real algum, a si ou aos outros. Por isso devemos reconhecer nossas falhas. É uma ação que nos permite mudar a direção e passar a algo melhor. Não é isso o que quer dizer “Teshuvá”?

No início da parashá, D’us chama a Moshé para lhe dar instruções sobre os diferentes procedimentos religiosos a serem seguidos pelo povo de Israel e que seriam realizados por intermédio dos Cohanim, os sacerdotes. Gratidão, dedicação, oferta, arrependimento. Vale perceber que o Eterno chama Moshé antes de lhe dar as orientações. Imaginamos que Moisés (Moshé) ouviu o próprio D’us chamar seu nome.  Podemos colocar o nosso próprio nome aqui. No nosso íntimo o Altíssimo nos chama, nos convoca a uma vida cheia de Torá. Ou seja, cheia de amor, de ética, de retidão, de estudo, de alegria…de Judaísmo.
O povo comparecia ao Mishkan, ao Bet Hamikdash. Hoje temos nossa sinagoga, que precisa de nós para que seja plena nos valores que a Torá nos dá e que só se cumprem com nossa presença atendendo ao chamado.

E Chamou…Vayicrá!

Shabat Shalom!

*As transcrições do texto da Torá são uma tradução livre da The Jewish BibleTANAKH – The Holy Scriptures The New JPS Translation The Jewish Publication Society

 
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