Parashá Metzorá: Buscando inspiração interior

Vayikra/ Leviticus 14:2-9

Parashá Metzorá

Rogério Palmeira

A Parashá desta semana, como a anterior( Tazria) lida com assuntos relacionados  a fontes de impureza ritual, tais como a misteriosa doença que provoca lesões esbranquiçadas e descamativas na pele, a emissão de fluidos corporais (seminais e mentruais); o tema que mais tem destaque geralmente  é o da Tzaraat,, classicamente traduzida como “Lepra”” mas que muitos estudiosos hoje consideram uma interpretação equivocada, mesmo porque o texto deixa claro que se trata de uma enfermidade, digamos assim, espiritual. O acometido por estado enfermidade ficava no estado de Metzorá.  Muitos comentaristas, incluso o grande comentarista medieval francês RASHi,  atribuem a gênese desta enfermidade a Lashon HaRá, maledicência. Esta interpretação talvez seja  influenciada por fontes anteriores como o Talmud, pois no Talmud Babilônico (Peah 4a-b) o “crime”de LaShon Hará, é considerado equivalente a idolatria, licensiosidade e assassinato combinados. Assim esta parashá temos instruções detalhadas de como procedermos após passadas estas etapas de impureza. Assim podemos nos focar no aspecto da busca da pureza. Nesta parashá, as orientações são de rituais de Pureza, de purificação espiritual, não são rituais de higiene, pois o estado de impureza ritual não decorre simplesmente por falta de higiene.
Mas a impureza pode ser transitória. Ou seja o estado de impureza ritual ( tameh) pode ser revertido a um estado puro ( Tahor). No estado de impureza, era vedade ao israelita participar de atividades religiosas; entretanto através destes detalhados rituais podería-se  passar do estado de Tameh a Tahor.  Ou seja, por mais que tenhamos errado, nos é possível recuperar o estado de pureza que nos permite aproximar de D’us.  A busca pela pureza, passa nesta parashá a ser a tônica. Muito interessante é que a uma recomendação similar  para homens e mulheres, ambos, se envolverem nestes rituais, o que nos ajuda a traduzir que mesmo no contexto patriarcal da antiguidade, a mulher não era vedada a participação na vida religiosa ou comunitária. A estudioso e acadêmico Richard Elliot Friedman, em seu Comentário a Torah, chama atenção que nem mesmo a frase que o “homem deve se apresentar diante do Eterno””,significa especificamente uma restrição a participação feminina.
Assim no processo de purificação interior e comunitária, nosso olhar deve se purficar também de qualquer de qualquer contaminação, para que assim como devemos ter zelo pelas nossas palavras, devamos ter o mesmo zelo sagrado com nossos pensamentos.

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