Pessach 5776 (Nº 2)

Pessach SIB e-news

Luciano Ariel Gomes

comentário desta semana volta a ser relacionado à festa de Pessach. Por vivermos na diáspora, temos um dia a mais para celebrar. 
Durante toda a semana, tivemos a oportunidade de relembrar como o Eterno retirou seu povo do Egito com Mão Forte e Braço Estendido. A partir dali, o povo judeu começaria a construir de forma  mais sistemática, principalmente após a Outorga da Torá, a sua identidade.
Mesmo daqui da diáspora, podemos e pudemos reviver aquele momento histórico através da Hagadá de Pessach, que lemos durante o Seder. Baruch HaShem porque mesmo com a dispersão, nossa identidade se manteve forte e chegamos aos dias de hoje conscientes de quem somos, com diferentes tipos de identificação individual com o Am Israel, do religioso ao secular.
Não podemosentretanto, nos esquecer de que a diáspora produziu pogroms, inquisições e o maior crime jamais perpetrado contra nós, a Shoá. Crimes que a humanidade cometeu contra nós e que deram a oportunidade a muitos não-judeus de esconder-nos, alimentar-nos e ajudar-nos a escapar de certos países. Sim! Alguns agiram assim, mas a maioria que vivia sob os regimes antissemitas, foram “na onda” e se tornaram cúmplices do mal.
Ao mesmo tempo, um fenômeno passou a acontecer. Mesmo em meio às perseguições e situações adversas, não deixaram de ocorrerem considerável número, conversões (pela falta de um termo melhor) ao judaísmo. E é aqui que nos remetemos ao que a Torá nos diz em relação a quem se torna um estrangeiro residente pleno.
Inicialmente,  no tocante ao Pessach, só podia participar, ou seja, comer uma porção do cordeiro abatido especificamente para festa, o israelitaSe o estrangeiro quisesse fazê-lo teria queria tornar-se um membro completo do povo, e não apenas um residente, teria que passar pelo brit milá. O texto da Torá diz assim:
Se um estrangeiro que reside convosco quiser oferecer Pessach ao SENHOR, todos os seus varões devem ser circuncidados; então ele será admitido para oferecê-lo; ele será, então, como um cidadão do país. (Ex. 12:48-49)
E, ratificando a identidade daquele que foi admitido como parte do povo, em outro trecho, a Torá expressa o seguinte:
E quando um estrangeiro que reside convosco quiser oferecer [o] sacrifício de Pessach ao SENHOR, ele deve oferecê-lo de acordo com as regras e os ritos do sacrifício da Páscoa. Haverá uma lei para vós, seja estrangeiro ou cidadão do país. (Lev. 9:14)
Em outras palavras, tanto judeus nascidos quanto convertidos têm as mesmas responsabilidades. Se a Torá nos iguala, por que há aqueles que nos diferenciam? Não seria por isso que os sábios ensinaram que não se pode lembrar a um prosélito sua condição original?
Um ponto alto do Pessach deste ano foi o nosso Seder comunitário – na última terça-feira 26/04 – em que judeus nascidos e por escolha celebraram juntos a libertação que a Torá nos proporciona. Claro, celebramos a libertação da escravidão, mas também a liberdade para vivermos os valores da Torá. Esse momento simbólico de nossa comunidade – a mitzvá em si deve ser cumprida nas duas primeiras noites – nos permite estar juntos de forma descontraída e, ao mesmo tempo, valorizarmos nossa tradição.
Talvez, para alguns, as observações acima devessem ter sido trazidas por outra pessoa, afinal, esse que vos escreve passou pelo processo de Giur (conversão), porém, ao entender que é a mesma Lei para todos, me perguntei, “por que não?”.
Este é o tema deste comentário porque, enquanto vamos nos despedimos de Chag Pessach, nos preparamos para Chag Shavuot. Desde a segunda noite de Pessach temos contado o Omer. Ao chegarmos à sétima semana, e ao quinquagésimo dia, estaremos em Shavuot para recebermos mais uma vez a Torá. Os sábios são praticamente unânimes ao afirmar que em Shavuot todo o povo se “ converteu” ao judaísmo. Devemos sempre nos reconverter à Torá, lembrar quem nós somos. Até lá, enquanto fazemos Sefirat Ha-Omer, nossos sábios nos ensinam a acrescentarmos mitzvot às nossas vidas e a corrigirmos erros que tenhamos cometido. melhor forma de começarmos é nos valorizarmos uns aos outros, tanto o natural quanto o estrangeiro, afinal, a Torá é uma só para todosPrecisamos conhecê-la exatamente para não sermos vítimas daqueles que creem ter o seu monopólio. 
Fiquemos, então, com um precioso ensinamento que muitas vezes esquecemos de que é nosso e que está registrado na Torá:
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo (Lev 19:18)
Shabat shalom! Chag Pessach sameach!
Obs. Os trechos da Torá são uma tradução livre a partir da The New JPS Translation – According to the Traditional Hebrew Text  1985
O termo “SENHOR” foi usado de acordo com essa versão.

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