Parashat Emor

Parashat Emor

Luciano Ariel Gomes

 

parashá desta semanaEmor (Fala…), nos apresenta vários procedimentos que devem ser seguidos pelos Cohanim, os sacerdotes descendentes de Aarão.
Esses procedimentos cobrem desde a conduta sacerdotal em relação ao santuário e seus pormenores à vida ética e moral exigida de um Cohen. Também aprendemos sobre quais Cohanim podem ser devidamente efetivados na prática sacerdotal.
Uma contextualização do texto pode nos remeter ao fato de que todo o povo judeu é uma nação de sacerdotes, ou seja, todos temos a obrigação de nos mantermos puros e prontos para exercer o nosso “sacerdócio”. 
Os sacrifícios e as oferendas levados ao altar do Mishcan (o Santuário) e posteriormente ao Bet Hamicdash ( o Templo) estão contextualizados em nossa prática diária através das nossas rezas fixas, a saber:
 Shacharit” – a reza da manhã 
Minchá” – a reza da tarde
Arbit” ou “Maariv” – a reza da noite
Esses três serviços diários, que ganham formas especiais nas festas e no Shabat, são a forma que temos hoje de cumprir a Mitzvah da Torá de servir ao nosso Deus. O Deus de Abraham, o Deus de Itzhac, o Deus de Ya’acobTrês momentos diferentes no dia para servir ao Deus Único. E isso deve ser feito por qualquer judeu.
Se na período do Mishcan e dos Templos cabia aos Cohanim realizar o serviço religioso, hoje, ele cabe a todos nós. O que aprendemos disso? Seriam os Cohanim uma espécie de modelo para o comportamento esperado de toda a nação?
Podemos, sem embargo, entender a mensagem da Torá nesta parashá como um chamado a um comportamento que nos permita estar “à vontade” no local que temos reverenciado como sagrado, ou seja, sinagoga. 
Infelizmente, nem sempre temos a devida consciência da importância da mesma na vida judaica. Nem sempre valorizamos a oportunidade de termos momentos de reflexão, meditação e, principalmente, de cumprir a mitzvá de serviço ao Eterno que, pelas nossas muitas obrigações diárias, nem sempre conseguimos realizar durante a semana. Nesse contexto, temos uma sinagoga sempre aberta para os serviços de Cabalat Shabat e Shacharit de Shabat, e que pode estar aberta a outros serviços, como Minchá/Arbit/Havdalá à tarde, ao final do Shabat
Não obstante, há algo importantíssimo que deve ser observado em nossas presenças na sinagoga. A vontade de desfrutar da companhia uns dos outros. Não é à toa que só podemos realizar determinadas preces em Comunidade (Edah), ou seja, na presença de um MinianPara cumprirmos algumas obrigações, é necessário que estejamos juntos e no mesmo espírito (Cavaná). Precisamos compreender que os momentos de reza e de leitura da Torá são preciosos e requerem nossa atenção e concentração. O Rabino Marc D. Angel em seu comentário semanal sobre a parashá na excelente página do movimento Ortodoxo Moderno http://www.jewishideas.org nos traz o seguinte relato:
“O grande mestre ChassídicoRabino Levi Yitzhak de Berdichev estava visitando uma pequena cidade e ia rezar na sinagoga local nos momentos prescritos para os serviços religiososUm certo diaele parou à entrada da sinagoga e não entrou no santuárioO grande número de pessoas que o acompanhavam ficaram perplexasPor que o Rebe não entrou na sinagogaRabino Levi Yitzhak lhes disse‘Não vou entrar porque a sinagoga está muito cheia.’ Mas a sinagoga estava vazia! O Rebexplicou‘A sinagoga está com seu espaço ocupado por rezas. Não há espaço para nósNormalmente, quando rezamosnossas preces sobem ao portão do Céuno entantonesta sinagogaas rezas são recitadas sem a devida concentração e devoção, então as rezas não alcançam o Céu. Na verdade, elas estão presas no prédio da sinagoga – sendo assim, não há espaço para nós nela.’
Nossa tradição nos ensina que a alegria nos aproxima de nosso Criador, o Santo Bendito seja Ele! Me sinto feliz porque em nossa sinagoga, aqueles que costumam frequentá-la, não vem para um serviço religioso passivo em que o cantor faz todo o serviço. Na SIB, todos cantam, todos servem, todos rezam! Em mais de uma ocasião, judeus que nos visitaram expressaram sua admiração pela forma que rezamos, que cantamos. Isso é um convite a toda a nossa coletividade. Precisamos que nossas rezas continuem a subir ao portão do Céu, e que nossa sinagoga esteja plena com nossa presença e com nossa alegria.
Dessa forma, estaremos cada vez mais inclinados a prestarmos ao Eterno um serviço mais próximo ao que Ele merece.
Shabat shalom!

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