Parashat BaMidbar

Luciano Ariel Gomes

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Quantas vezes, em nossos afazeres e labutas diários, precisamos de alguns minutos sozinhos? Para refletir, meditar, ouvir o silêncio, acalmar a mente ou coração… O pior é que muitas vezes não temos esse tempo. Em qualquer lugar e a qualquer momento podemos ser encontrados.  Se desligamos o celular, em seguida podemos ouvir vários questionamentos e cobranças. Na verdade, nós é que somos responsáveis por esse tempo. Somos nós que precisamos estabelecer os limites.

Obviamente, alguns de nós têm o privilégio de morar em regiões mais silenciosas e, em nossos lares, temos a oportunidade de “desligar”. No entanto, quantos de nós ligamos a TV, ou mesmo o rádio, assim que entramos em nossos quartos? O “barulho” não precisa sequer ser sonoro. Na era dos smartphones e computadores entramos nos chats, Facebook, WhatsApp, etc. A única “voz” que não ouvimos é a nossa própria. Ora, se não ouvimos nossa própria voz, como podemos esperar ouvir a voz de D-us?

A Parashá desta semana é Bamidbar, No Deserto. E foi no deserto que o Povo de Israel recebeu a Torá. Parece interessante também que ao final deste Shabat iniciaremos Shavuot, que comemora exatamente aquele momento.

A cena faz parte de nosso consciente (não inconsciente, nem sub-consciente) coletivo. Todos nós, judeus, somos em algum nível conscientes deste marco histórico para nós. Claro, para alguns é puro artigo folclórico e lendário. No entanto, para muitos, e também para este que vos escreve, é parte essencial da história judaica, o início de nossa civilização e organização nacional. Proponho, então, que nos transportemos para aquele momento… Pronto! Estamos lá! E aí, ouso perguntar, quem que está falando?

O deserto é a oportunidade de calar. Calar para ouvir. Pode-se ouvir um número enorme de coisas no deserto, inclusive o que a nossa própria imaginação quiser dizer, mas o deserto tem seus próprios sons. O deserto pode ter, igualmente,  a ausência total de som. Mas, aquele Deserto, este Deserto, no qual estamos agora, tem os sons da Torá. Todos podemos ouvir a Voz do Santo Bendito Seja Ele!

Nosso Sábios nos ensinam que as Almas de todos os judeus estão presentes aqui.

Voltando à nossa realidade, é preciso reproduzir aquele momento sempre. É assim que poderemos ouvir nossa voz interior. É assim que a Torá poderá falar conosco. A Torá está próxima de todos nós. Estudamos, decoramos e até criticamos a Torá. Mas, será que escutamos o que ela nos ensina? O Eterno fala conosco através da Torá e não é à toa que estudar a Torá é uma Mitzvá em si mesma. Mas, se não soubermos nos calar para que escutá-la, estaremos nos distanciando de nós mesmos, do Judaísmo, do Eterno.

O livro que começaremos a ler a partir deste Shabat de BAMIDBAR (No Deserto). Alguns o chamam de BEMIDBAR (Em um Deserto). Mesmo que seja a nós impossível estar fisicamente nAquele Deserto, precisamos nos dar a oportunidade de estar conosco mesmos de vez em quando. Ouvir nossa voz mais íntima, a da Centelha Divina que temos e que nos fala  o tempo todo do Bem, de Shalom, de Aprendizado, de Companheirismo, de Ética, de Amor…enfim, de Torá!

Shabat shalom veChag Shavuot Sameach!

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