Comentário sobre Parashat Côrach

Parashat Korach Corach

Mauro Brachmans

Na Parashá desta semana lemos que Côrach, primo de Moisés e Arão, Datan, Aviran, On e mais 250 homens, todos pessoas de renome, líderes da congregação, vão a Moisés questionar sua liderança. Argumentam que toda a congregação é santa, e Deus habita entre eles, e portanto todos deveriam ter o direito de oficiar o serviço religioso.
Moisés tenta demovê-los, especialmente aos levitas, lembrando: “não lhes basta a honra de zelar pelo Templo, ainda querem o sacerdócio?”. Sem sucesso.
Moisés orienta a que todos acendam incensários e afirma que Deus mostraria que tudo o que havia feito não provinha dele próprio e algo extraordinário aconteceria para provar. Então, a terra se abre e devora aos insurgentes e suas famílias inteiras – homens, mulheres e crianças.
O povo culpa a Moisés por isso e a ira de Deus dá início a uma mortandade. Arão toma um incenso e pede a Deus por aquelas pessoas. A mortandade para após 14.700 vítimas.
Moisés ordena a que se tomem 12 varas, uma para cada tribo, e nelas seja marcado o nome de seu líder. Todas foram levadas ao Mishcan e, no dia seguinte, apenas a vara com o nome de Arão floresceu, confirmando que era dele o privilégio do sacerdócio.
Dos primeiros líderes da rebelião, apenas On ben Pelet não apareceu na revolta final e por isso não morreu. O Talmud atribui sua salvação à sua mulher, que abriu seus olhos e lhe disse que não seguisse Côrach porque, mesmo que lograssem êxito, seria este o novo líder e não On. Como diz o versículo de Provérbios, “a mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata a derruba com as suas mãos”. Eu, Mauro, tive a honra de dirigir algumas palavras aos noivos por ocasião de uma cerimônia de casamento, e lhes disse: “se é verdade, como dizem, que o homem é a cabeça do casal, então a mulher é o pescoço – faz a cabeça girar para onde ela quiser”. A citação não é minha mas dela fiz uso, não por concordar que exista uma cabeça no casal – a família é construída a quatro mãos – mas por acreditar na força da influência da mulher, para o bem ou para o mal.
Côrach era um homem inteligente e muito rico. Havia sido tesoureiro do faraó. Existe uma expressão em ídiche que diz “reich vie Côrach” ( rico como Côrach ). Os demais 250 homens também eram pessoas inteligentes, todos líderes de suas tribos. Mas foram tomados pela inveja e esta os devorou. Forte é aquele que controla as suas paixões. E eles não foram fortes e desejaram o lugar de destaque de Moisés sem refletir sobre os sacrifícios que essa liderança exigia. E o acusaram daquilo que na verdade a eles lhes consumia: a ambição do poder.
Nossos sábios dizem que a maneira com que julgamos diz mais sobre nós do que sobre o outro. E que se enxergamos uma falha em alguém é porque a conhecemos – caso contrário, passaria despercebida. Sempre é conveniente lembrar que quando apontamos um dedo para alguém, três outros dedos apontam de volta para nós mesmos.

Shabat Shalom!

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