Parashah Ki Tetze Deuteronômio 21:10 – 25:19

Rogério Palmeira

Moshé continua sua última mensagem aos Israelitas no Deserto. Nesta Parashah há um grande número de mandamentos-são 72, segundo Rambam ( Maimônides, 1135-1204). Mas também são 72 os Nomes Divinos e 72 eram os povos da época, então multiplicamos as possibilidades de aprendizado. encontrar nestas MItzvot muita Luz para nossa vida moderna. Os mandamentos expostos neste trecho regulam basicamente, 03 grandes áreas: Guerra, Relações Familiares, Transações de negócios.

O judaísmo é realista, não pode deixar de notar a realidade nua e crua da Guerra. Aqui encontramos um estranho mandamento de que se vencida a batalha e um soldado se encantar pela beleza de uma cativa, este poderia “tomá-la para si”…..mas só após levá-la para sua casa, raspar sua cabeça,deixá-la usar vestes deploráveis, etc. Ou seja só após removidos muitos de seus atributos de beleza e após deixá-la vivenciar seu luto por 30 dias, só então, o soldado poderia tê-la, mas antes casar com ela. Caso não desejasse se casar, então deveria deixá-la partir, sendo vedado obter qualquer lucro da cativa. Parece muito constrangedor e até mesmo inaceitável este tipo de lei. Entretanto mesmo em nossos tempos, a realidade da guerra é de violência sexual contra mulher. Assim consideramos esta lei de mais de 3.500 anos, na realidade um grande avanço. E assim são tratados temas como estupro, adultério e relações consideradas ilícitas. Pelo ponto de vista da Torah, todos inaceitáveis. Outras leis mais práticas, regulando coisas como construção de parapeito no telhado, necessidade de se manter medidas corretas nas balanças entre outros são discutidos aqui. Tratava-se assim de estabelecer regras de convívio social, em que a justiça, a ética,o respeito ao próximo e proteção aos mais fracos prevalecem. Era proibido por exemplo, que um ‘escravo que buscou abrigo” fosse devolvido ao seu dono. Aparecem também mandamentos, interpretados pelos rabinos, como referente a compensação financeira em casos de danos. Dentro desta perspectiva observamos um texto, que nas entrelinhas, promove uma revolução continuada nos valores prevalentes na antiguidade, quando tudo era motivo para violência, onde a mulher era tratada como objeto e as transações comerciais eram marcadas pela desonestidade.

Entretanto estes são os trechos que mais nos chamam atenção: aqueles que falam que devemos reservar os ” cantos de nosso campo”, parte de nossa colheita, aos estrangeiros,aos órfãos e às viúvas, que mais nos chamam atenção, pois fazem também parte da longa tradição de promoção de justiça social. O outro é o que encerra a parashah. Um mandamento no mínimo estranho- Não esquecer o que Amalek nos fez e apagar da memória seu nome. Esta miztavah nos remete a longa tradição de Lembrar. Aqui devemos apagar o nome daquele malfeitor do rol dos bons nomes sob o céu, riscá-lo da lista dos homens. E ao repetidamente esquecê-lo, nunca deixar que de nossa memória se apague todo dano sofrido.

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