Chol HaMoed – Sucot

sucot

Marcos “Moti Sefaradi” Wanderley

A Parashá desta semana para o Shabat é Chol Hamoed de Sucot – uma leitura especial que está dentro da porção 21 – Ki Tissá.

Chol Hamoed significa um período intermediário de uma festa como em Pessach e Sukot que têm dias semi-festivos com a diminuição das restrições laborais. Entretanto, como será no Shabat o 4º dia de Chol Hamoed, seguimos os preceitos normais do Shabat com adições referentes a Sucot no Serviço Religioso.

O trecho específico desta leitura encontra-se no livro de Shemot – Êxodo 33:12 – 34:26

No início da porção, o diálogo entre Moshê Rabênu e o Eterno evidencia um reconhecimento de identidade e cumplicidade entre a Divindade e o povo judeu. A linguagem usada pelo Eterno é antropomórfica para se aproximar do entendimento e compreensão de Moshê, além de mostrar a importância que H’Shem dá ao seu povo.

Moshê suplica ao Eterno que mostre a Sua glória.
“Não poderás ver meu rosto, pois não poderá me ver o homem, e viver”
Nesta passagem, apesar da proximidade, o Eterno mostra a limitação do ser humano em relação à Divindade. Moshê Rabênu tem uma preparação espiritual muito superior ao restante do povo de Israel, sendo quase exclusiva a comunicação entre H’Shem e Moshê.

Moshê exalta ao Eterno, proferindo qualidades nobres que o ser humano deve ter ao Eterno que, de fato, tem realmente: “Eterno, Eterno, D’s piedoso e misericordioso, tardio em irar-se, e grande em benignidade e verdade; que guarda benignidade para duas mil gerações, que perdoa iniquidade, rebelião e pecado, e não livra o culpado que não faz penitência, visita a iniquidade dos pais nos filhos, e nos filhos dos filhos,[…]”. O Eterno também é justo, por isso Moshê toma para si toda a carga do povo judeu reconhecendo nossos erros e, ao mesmo tempo, com Kavaná (sinceridade do coração) e real arrependimento dos erros cometidos pelo povo de Israel, suplica o perdão e misericórdia do Eterno. A porção termina com preceito social: o respeito ao sofrimento seja do ser humano ou mesmo de um animal de forma proposital, além do princípio interpretativo de nossos sábios de não comer carne com leite – “…não cozinharás cabrito com o leite de sua mãe.”

Observa-se que está presente um tratado de comportamento espiritual do cumprimento explícito dos preceitos dados pelo Eterno a Moshê Rabenu. As tábuas de pedra da aliança corroboram a intensidade deste pacto do Eterno com o povo judeu e Moshê Rabênu para sempre…

Sucot – A Sucá nos mostra que devemos ser simples e que devemos valorizar as coisas imateriais, pois as coisas materiais estão naturalmente em nossas vidas, mas não para ostentação de nossos egos. A Torá nos ensina que devemos potencializar nossas ações para o bem comum. Ver as pessoas como pessoas e não sermos atraídos por suas posses ou por aquilo que nos possa beneficiar, mas sim, pela existência de cada um – o valor à vida.

Durante Sucot as almas de sete patriarcas de Israel – Abraham, Isaac, Iaacov, Moshê, Aarón, Iosef, o rei Rei David – deixam o Gan Eden para participar na luz divina de Sucot no nosso meio (Zohar – Emor 103a). A cada dia, as sete almas ficam presentes para guiar as outras seis. Eles são conhecidos como Ushpizin (do aramaico, convidados)

As Quatro Espécies: Lulav, Hadáss, Etrog e Aravá.

“Segundo o Midrash, o Lulav – a folhagem fechada da palmeira, que é a mais alta das quatro espécies – simboliza o estudioso da Torá: o judeu que passa a maior parte de seu tempo estudando os livros sagrados.

O Hadáss – ramo da árvore de murta – representa o judeu que não tem tanta inclinação intelectual ou que simplesmente é muito ocupado para passar horas a fio estudando a Torá. Personifica os judeus que são homens de ação: líderes comunitários, jornalistas, empresários, profissionais, filantropos e ativistas.

O Etrog – a cidra amarela, outra das Quatro Espécies – representa o judeu que é um erudito em Torá e um homem de grandes feitos. Tais pessoas são muito raras, mas existem. O Rabi Yehudah HaNassi, conhecido no Talmud como Rebi, foi o maior erudito de sua geração. Foi quem transcreveu a Mishná, resumo da Torá Oral. Ele também era o homem mais rico de Israel e amigo íntimo do imperador romano, à época, Marco Aurélio Antonino. Rebi passava seus dias estudando e ensinando a Torá – e ao transcrever aMishná, garantiu que a Torá Oral nunca se perdesse. Ao mesmo tempo, Rebi usou sua fortuna e influência para melhorar a vida do Povo Judeu, cujos membros viviam na Terra de Israel sob ocupação romana.

Aravá – um ramo folhoso do salgueiro. Representa o judeu que não é um estudioso nem tampouco um líder ou benfeitor – alguém que não tem riqueza espiritual nem material. Enquanto as três outras espécies representam judeus que possuem e doam algo de si – sabedoria, riqueza ou influência – o Aravá representa aquele que não dispõe desses atributos e, portanto, necessita recebê-los de terceiros. Aparentemente, o Aravá é o oposto do Etrog.”

A Cabalá nos ensina que neste período devemos trabalhar as Sefirot – os sete níveis de evolução espiritual:
1-Sefirá de Chessed
2 – Sefirá de Guevurá
3- Sefirá de Tiferet
4 – Sefirá Netzach
5 – Sefirá Hod
6 – Sefirá Yessod e
7 – Sefirá Malchut.

Os elementos físicos que representam os quatros tipos de judeus englobam todas as Sefirot descritas anteriormente. Estas Sefirot Emocionais podem ser usadas negativamente ou positivamente. Cabe a nós tal decisão do livre arbítrio e é óbvio que devemos escolher o caminho do bem. Espero que tenhamos esta consciência plena de nossas atitudes ou que, pelo menos, façamos um esforço para nos modificar e melhorar nossas ações. Estamos tendo esta nova oportunidade em Sucot, a morada da humildade e do acolhimento, pois os quatro elementos do Lulav revelam os judeus diferentes que somos com suas especificidades, o que demonstra que o Eterno ama e perdoa a todos…

Shabat Shalom Umevorach
Chag Sukot Sameach

Referências:

Revista Morashá
O mais completo guia sobre o judaísmo
Aish, ha Torá

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