Parashat Yitrô

Parashat Yitro

Por Luciano Ariel Gomes

A importância da Parashá desta semana dispensa ênfases.

São tantas lições que se não tivermos o foco correto nos perderemos e poderá ser difícil guardar algo concreto.

Vamos nos ater a alguns conceitos que podem estar um tanto desvirtuados em relação ao pensamento judaico. Isso se dá exatamente pelo fato de essa Parashá trazer consigo um dos trechos mais populares na literatura religiosa mundial, a saber, os chamados Dez Mandamentos.

Na verdade, na nossa tradição não se tratam de dez mandamentos. São, na verdade, as “Dez Palavras” ou as “Dez Declarações” já que em hebraico o termo é “Aseret HaDibrot”. E por quê? Vejamos o primeiro “ mandamento”.

“Eu sou o ETERNO teu Deus, que te tirou da terra do Egito […]” (Shemot 20:02)

Onde está o mandamento? O que temos aqui é uma afirmação por parte de HaShem nos dizendo quem Ele é. Não há qualquer ordem para crer nEle, por exemplo, como alguns já interpretaram. Há, sim, uma clara declaração do que Ele fez por nós. Aquele evento, o Êxodo nos marcara definitivamente como Seu povo e Ele como nosso Deus.

Logo seguida está escrito:

“Não tereis outros deuses diante de Mim. (…)

Está, então, ratificado o monoteísmo ético. Não só HaShem é o nosso Deus, mas somente Ele o é. Precisamos ter consciência disso e escolher isso. As orientações, declarações e ordens que se seguem vão exigir de nós um comportamento que esteja de acordo com essa realidade.

Outro aspecto interessante nessa Parashá vem do seguinte verso:

“Assim dirás à casa de Jacob, e anunciará aos filhos de Israel. ” (Shemot 19:03)

Como assim? Por que essa diferença entre a “casa de Jacob” e os “filhos de Israel”? Não seriam a mesma coisa? Nossos sábios os ensinam que há uma diferença também entre “dizer” e “falar”.  A primeira se refere às mulheres (a Casa de Jacob) por ser mais suave, enquanto que a segunda aos homens (os filhos de Israel), por ser mais dura. Essa é uma das interpretações clássicas do Midrash sobre esse texto. De qualquer forma, aprendemos aqui que o judaísmo é para todo o povo, mulheres e homens, crianças e idosos. Não foi assim no Sinai?

Ser judeu começa com a criança e se concretiza ao longo da vida. Fomos, e somos presenteados com uma belíssima tradição da qual nem sempre temos desfrutado como deveríamos.

A cada ano a leitura das Dez Palavras nos lembram quem somos. Cabe a nós não esquecer quem é o nosso Deus.

Shabat Shalom

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