Parashat Beshalach

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Por Luciano Ariel Gomes

A parashá desta semana nos traz uma lição tremenda em relação a alguns acontecimentos nessa transição de Israel entre a saída do Egito e a outorga da Torá. Em algumas ocasiões vemos o povo reclamar. Primeiro quando não acharam água (Shemot 15:22-24). O povo foi a Moshé e se queixou. A solução veio por intermédio de uma árvore que é jogada por Moshé nas águas amargas a mando de HaShem, que lhe mostrara a árvore, e assim as águas se tornaram doces. .

Depois veio a fome. A reclamação veio através da exaltação da vida no Egito. O povo diz que lá comiam pão a fartar, sentados junto às panelas de carne. Aí veio Moshé e os tirou de lá, para mata-los no deserto. A solução aqui foi o Maná.

Não obstante, nesses dois episódios de reclamações, não nos pode escapar a questão da natureza humana. Como nos esquecemos rapidamente do bem que nos é feito. Por acaso o Eterno, tendo demonstrado o Seu poder durante as pragas e finalmente na travessia do Mar, não poderia resolver problemas tão simples como providenciar comida e bebida para o povo?

Há um verso que nos dá alguma luz:

“(…) Ali deu-lhe estatutos e leis, e ali o provou.” (15:25b)

HaShem  demonstra aqui que o povo precisava se conhecer (“e ali o provou”). Sim, porque não podemos conceber que Ele não conhecesse o povo que escolhera. Ele por certo já esperava aquelas reações. Ainda no Egito houve quem questionasse Moshé. Não vamos deixar de reconhecer nossos erros, afinal o povo até mentiu ao exaltar as qualidades na vida no Egito. Ora, estava tudo bem? Não éramos escravos? Não havia uma opressão insuportável? É que o ser humano é assim. Diante do novo problema o antigo é minimizado, uma vez que não o estamos vivenciando mais, talvez sentindo a responsabilidade da liberdade, que começava a bater à nossa porta.

Ao jogar a árvore nas águas Moshé demonstrou que diante das adversidades devemos fazer algo. Não podemos “deixar rolar”.

Infelizmente é através das dificuldades que nós, seres humanos, acabamos encontrando soluções. Com certeza Deus via o potencial desse povo para ensinar Seus valores à humanidade. Não podemos esquecer das promessas feitas a Abraham, mas apesar do difícil começo, e de uma rica história marcada por vitórias diversas e de tropeços tremendos, somos o único povo da antiguidade que sobreviveu mantendo seus valores, mesmo que desenvolvidos e adaptados ao mundo contemporâneo.

O povo precisava se conhecer. Conhecer seus limites, suas qualidades, seu potencial. Uma jornada de alguns dias (do Egito à Terra de Israel) foi trilhada em quarenta anos. Era necessário. Assim, e ao longo de todas as nossas vivências, nos tornamos Israel.

E como é interessante que um mundo que muitas vezes se coloca contra o Estado de Israel, desfruta de suas invenções e soluções. Sofremos, mas presenteamos a humanidade com o que temos de melhor, nossa criatividade. Deixamos de reclamar e passamos a criar.

Shabat Shalom!

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