Parashat Yitró – (Shemot 18:1-20:26; Haftará – Isaías 6:1-7:6, 9:5-6)

Marcos “Moti Sefaradi” Wanderley

Parashat Yitro

O capítulo 18 trata da compreensão da Torá e o estabelecimento de uma história crítica. Leis sobre o serviço religioso e os sacrifícios, o direito, os juízes e os chefes.

Yitró, descendente de Avraham por Queturá, é alheio à sua aliança e a Moshê. Mas seu sacrifício ao modo de Noah (Noé) e de Avraham o faz bem aos olhos do Eterno. Ele era midianita, chamado também de Reuel (Ex 2:18; Nm 10;29). Os sábios dizem que há algumas divergências entre as tradições do Chumash, mas que, para eles, isto é a prova de que Yitró é o estrangeiro que mais amou a Torá. Um Midrash sugere que Moshê quer convencer Yitró no versículo 8.

O capítulo 18 enfatiza que todo o poder está no Eterno e Moshê age como profeta, pois a Torá ainda não fora revelada. Moshê é o intermediário entre o Eterno e o povo de Israel.

O capítulo marca a chegada ao Sinai – começa a sétima semana do início de uma terceira lunação – a sétima semana equivale ao repouso da escravidão ocorrida no Egito. É aí, então, que po povo tem momentos de júbilo, sendo o Shabat do Êxodo. Não há uma precisão geográfica do monte Sinai.

O capítulo 20 é o ponto alto desta Parashá pois trata de um dos legados mais importantes para o povo judeu e para a humanidade em outras tradições religiosas: ASERET HADIVROT (mais conhecido como “Os Dez Mandamentos”). Esta versão é mais lapidada em relação ao serviço ao Eterno. No Deuteronômio, há algumas variantes de estilo sobretudo em relação à lei do Shabat, mas que se completam em sentido e em reafirmação do mandamento.

ASERET HADIVROT – Dez Mandamentos ou Dez Palavras?

“As Dez Palavras” (mais conhecido como Os Dez Mandamentos) em Yitró podem ser consideradas como uma enunciação literal do Sinai .

O primeiro “mandamento” numa tradução mais apurada “Eu mesmo” (de “Eu sou o Eterno” – tradução estilística para nossa língua) revela, segundo Maimônides, um artigo de fé obrigatório, por isso pode ser considerado um mandamento. Entretanto, este título “Dez Mandamentos” não é original. É preferível o de “Dez Palavras”, a primeira classe dessas “palavras” sendo um preâmbulo, uma afirmação de princípio, o que demonstra que o texto inteiro é uma espécie de prefácio do pacto cujas condições serão expostas com riqueza de detalhes, tanto no livro de Shemot (Êxodo) quanto em Devarim (Deuteronômio).

Na época do Segundo Templo e do Talmud, hebreus proibiram que este texto fosse utilizado nos Tefilin ou isolado na leitura sinagogal da Torá. Entretanto, segundo a Mishná Tamid 5:1, o fundamento da religião judaica é a Torá em seu conjunto e não um texto em particular… O Decálogo é parte integrante dos relatos e das leis de Shemot – o contexto indica claramente que se trata de um episódio da vida do pacto. Há uma distinção clara, segundo as tradições, preceitos que dizem respeito à relação intrínseca com D’s como o “ guardar (lembrar) o Shabat” por exemplo, e em relação ao próximo como “não assassinarás”. Esta distinção não é uma separação, mas faz parte de um todo, em que estão envolvidos conceitos de obediência, respeito, da harmonia e perpetuação da vida, evidenciando a responsabilidade de nossas ações e suas respectivas influências negativas e positivas através de nosso comportamento…

É importante salientar que a discussão se são ou não dez palavras ou dez mandamentos não invalida dizer que são 10 mandamentos… A única discussão sobre isto é que se observarmos atentamente, veremos que há mais de10 mandamentos inseridos neste trecho – na verdade são 14 mandamentos ou 15 a depender da opinião de cada sábio. Mas, pelo menos são 14… Façamos primeiro uma divisão nos conceitos. Em hebraico Aseret= 10 e Diverot= locuções, enunciados, palavras, falas ou ditos; mitzvot = preceitos, ordenanças.

Segundo o Sefer Hachinuch (do Rabino Aarón Halevi e de acordo com a conta de RAMBAM – Mishnê Torá), a divisão é a seguinte.

1. Mitzvá 25 – Saber que H’Shem É.
2. Mitzvá 26 – Não crer em outra divindade que não seja o Eterno exclusivamente.
3. Mitzvá 27 – Não fazer uma estátua com fins idolátricos.
4. Mitzvá 28 – Não ajoelhar-se diante da idolatria.
5. Mitzvá 29 – Não ser idólatra no que é próprio dela.
6. Mitzvá 30 – Não jurar em vão (seguindo a prática de pôr D’s como testemunha).
7. Mitzvá 31 – Consagrar o Shabat com palavras e pensamentos.
8. Mitzvá 32 – Não fazer “Melachá” (labor) em Shabat.
9. Mitzvá 33 – Honrar pai e mãe.
10. Mitzvá 34 – Não assassinar um inocente.
11. Mitzvá 35 – Não ter relações sexuais infiéis.
12. Mitzvá 36 – Não raptar um judeu.
13. Mitzvá 37 – Não testemunhar falsamente.
14. Mitzvá 38 – Não cobiçar o que pertence ao outro.

Portanto, todos são mandamentos dentro dessas 10 locuções, pronunciamentos, palavras ou ditos…

Shabat Shalom Umevorach

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