Parashat Vayiachel/Pikudei

Por Luciano Ariel Gomes

Nesta semana temos duas Parashiot combinadas Vayiachel and Pikudei, que concluem o livro de Shemot (Êxodo). Elas nos contam, entre outras coisas, sobre a conclusão dos trabalhos para a construção do Mishkan, o Santuário móvel no qual o serviço do Eterno deveria ser realizado. Também, sobre os detalhes das vestimentas e acessórios sagrados do Cohen HaGadol e dos Cohanim, e ainda, bem no início, orientações sobre o Shabat.

Há alguns pontos para analisarmos. O primeiro é exatamente o Shabat. Aprendemos aqui que nem mesmo para a construção do Mishkan o Shabat podia ser violado. Trata-se de algo seríssimo. A Torá especificamente nos proíbe de acender fogo durante o Shabat. Sabemos que o fogo representa o trabalho criativo, e que foi daqui que os sábios inferiram as 39 melachot proibidas no Shabat. Ora. O Shabat foi e é essencial para definir as características religiosas do povo judeu. Ele nos deu refrigério dos dias duros de trabalho e nos permitiu não nos esquecermos de quem somos.

O segundo ponto tem a ver com quando podemos começar a dar nossa contribuição para a sobrevivência de nossas tradições. A pessoa escolhida para por em prática os planos entregues a Moshé pelo Eterno foi o jovem Bezalel que, segundo nossa tradição, tinha 13 anos de idade (Sanhedrin 69b), exatamente a idade em que um jovem judeu se torna um Bar Mitzvá. Ele, auxiliado de perto pelo também inspirado Aholiab, foi responsável pela execução de tudo o que deveria compor o Santuário. Pensemos no tamanho dessa responsabilidade. Pois é, ainda assim, foi ele o escolhido e foi capaz de concretizar tudo o que o Altíssimo queria. É sem dúvida algo para refletirmos levando em consideração quantos de nossos jovens estão envolvidos com o judaísmo nos dias de hoje.

O terceiro ponto é surpreendente! Todos os artistas, artesãos, marceneiros, carpinteiros, ourives, etc, sob a liderança de Bezalel, vieram a Moshé para dizer que o povo já havia doado além do necessário. Sim! Já haviam trazido a quantidade necessária e continuavam a fazê-lo. Moshé precisou intervir e pedir ao povo que parasse. Que dedicação! O que impressiona é que fica claro que as doações tinha realmente vindo do coração daquelas pessoas.

Imaginemos a dedicação necessária para a construção da nossa sede no Campo da Pólvora. O que sentiram aqueles que contribuíram para sua construção quando viram o prédio pronto! Puderam encher aquela construção de vida judaica em todos os sentidos. Não é exatamente aquele sentimento de que precisamos para a conclusão da construção da nossa sede na Pituba? E quanto à nossa tradição? E os nossos filhos?

Não podemos concluir sem mencionar a importância dos Cohanim no contexto do Mishkan e da Parashá Pekudei. O quarto ponto é exatamente esse grupo dentro do povo de Israel. Eles foram incumbidos de executar com exatidão o serviço sagrado. Aaron e seus descendentes aprenderam um conceito que serve exemplo para todos nós. Eles estavam, sem dúvida alguma, servindo ao Todo-Poderoso, tudo o que foi desenhado e manufaturado para eles em vestimentas e acessórios deveria refletir isso. Honra, Beleza, Justiça e Amor, para exaltar o Santo, bendito seja Ele! Mas como eles faziam isso? Eles estavam à disposição do povo. Eles eram responsáveis por garantir que todas as oferendas obedecessem a uma ordem correta e eles tinham a autorização para entrar no local sagrado. Ao servir ao Eterno eles serviam o povo, ao servir o povo eles serviam o Eterno.

A Sociedade Israelita da Bahia contou por muitos anos com a sempre presente atuação de um descendente de Aaron HaCohen. Ele também havia entendido que ao servir sua comunidade ele estava a servir o Altíssimo. Foi um incansável defensor das causas judaicas e de sua comunidade. Deu um exemplo impecável de liderança comunitária, não só a seus filhos e netos, como a todos nós. Jamais o vimos tratar alguém mal e a todos recebia com afeto. Refiro-me a Chaim ben Srul Shmil haCohen Z’’L, o nosso querido Jaime Fingergut Z’’L,  ele que foi presidente da SIB por oito anos, membro constante de seu Conselho, e vice-presidente da Conib durante a gestão de Jack Terpins. Todos nós que estivemos presentes à cerimônia de inauguração de sua Matzeivá, nos emocionamos, mas acima de tudo, nos lembramos de sua dedicação e amor à nossa SIB. Com sua vida, demonstrou ser um verdadeiro Cohen e mereceu ser o primeiro a ser chamado à Torá em nossos serviços, sendo sempre um dos primeiros a dizer sim diante de um desafio. Uniu seu nome a tantos outros que construíram nossa herança judaica na Bahia.

Com a ajuda de D..s, colocaremos em prática os ensinamentos que aprendemos dele, não apenas com suas palavras, mas com suas atitudes. Que sejamos judeus de ação. Que ao receber esse bastão possamos honrá-lo com todo o amor que a Torá e o Judaísmo merecem.

Shabat Shalom!

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