Parashat Tzav

(Vayikrá  6:1 a 8:36)

By Luciano Ariel Gomes

O conteúdo da Parashá desta semana, Tzav, nos traz uma série de orientações sobre os sacrifícios que eram dedicados no Mishkan e que seriam posteriormente apresentados no Bet HaMikdash.

Cada tipo de sacrifício tem um nome de acordo com o seu objetivo. A Oferta Queimada (Olá) queimava até a manhã quando os Cohanim removiam as cinzas que restavam a um local específico. O fogo deveria arder continuamente. A Oferta de Refeição (Minchá). Uma parte desta era queimada no altar e o restante era comido pelos Cohanim. A Oferta pelo Pecado (Chatat) era degolada no mesmo local que a Oferta Queimada e o Cohen oficiante a comia na Tenda da Reunião. A Oferta pela Culpa (Asham) também era degolada no mesmo local que a Oferta Queimada. Seu sangue era aspergido sobre o altar, sua gordura era queimada, assim como a cauda, os rins e a protuberância do fígado, sobre o altar. O Cohen oficiante comia a parte devida a ele. Finalmente, neste trecho, a Oferta de Paz ou Pazes (Shelamim), que era trazida em Agradecimento.

Há vários detalhes na Torá sobre os diferentes tipos de sacrifícios de acordo com os dias, as datas sagradas (Shabatot e Chaguim), quem as trazia, suas razões e assim por diante. O que não nos pode escapar é o caráter ritual que regia o sacrifício no Mishkan e no Bet HaMikdash, em suas épocas respectivas. Também não nos escapa o fato de que, mesmo nos dias de hoje, esse caráter ritual está presente em nossa prática. O Rito judaico dá forma aos nossos momentos de culto e nos remete, conscientemente ou não, aos sacrifícios de outrora. Quem enfatizou a ideia foi o profeta Hoshea (Oséias) quando ele diz “(…)Perdoa toda culpa e aceita o que é bom; e no lugar de touros pagaremos [a oferta de] nossos lábios (14:3b). Não deixando de mencionar  Hannah (Ana), a mãe do profeta Shmuel (Samuel), que nos trouxe o conceito de oração contrita, em silêncio, inspirando a nossa Amidá, a Tefilá por excelência.  Assim, ao nos vermos sem o Bet HaMikdash e diante da necessidade de dar continuidade ao que nos foi dado no Sinai, nossos sábios entenderam que as rezas substituiriam os sacrifícios dando origem aos três serviços diários, a saber Shacharit, Minchá e Arbit (ou Maariv). No Shabat e nas Festas temos um serviço extra chamado de Mussaf, que equivale exatamente à oferta adicional trazida nas mesmas ocasiões. Percebemos, então, que o Judaísmo se fortifica e se mantem na continuidade.

Este Shabat é o Shabat HaGadol. É o Shabat que precede o Pessach. Temos  a oportunidade de realizar o Seder em nossas casas. Reviver a história. É preciso lembrar que nesta, na celebração realizada no Templo, havia uma Oferta que nos remetia àquele primeiro Pessach (Korban Pessach), em que um cordeiro foi imolado por cada família, ou por famílias próximas, e seu sangue foi posto sobre os umbrais das portas para que o Anjo da Morte “pulasse” aquela casa e assim, seu primogênito fosse salvo.

Nos dias de hoje, talvez a melhor forma de reviver o Pessach seja providenciando formas de salvar nossos filhos da completa assimilação. O Judaísmo sobrevive através da transmissão, da educação e prática judaicas. Milagres, bem sabemos, acontecem, mas o pensamento judaico não nos ensina a depender deles.

Na ausência do Bet Hamikdash e até que um ideal messiânico verdadeiramente judaico se concretize, o que temos é a nossa vida, nossos filhos, nossa sinagoga e nossas Tefilot (rezas), assim como nossa comunidade. A oportunidade de fazer a diferença aqui e agora.

Shabat Shalom e Chag Pessach Sameach

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