Shabat Chol Hamoed de Pessach – Leitura Especial – Êxodo 33:12-34 e Haftará – Ezequiel 37

Marcos “Moti Sefaradi” Wanderley

Uma das histórias mais fantásticas de nosso povo é a história de Pessach e tem como sinônimo principal o binômio “Liberdade e Fé”. Para o nosso povo história é sinônimo de memória e esta é a chave para a nossa sobrevivência. Shalosh Regalim (três pés, literalmente) marca o pilar de nossa História, Fé e Liberdade – Pessach, Shavuot e Sucot que são as três festas de peregrinação que nos remetem à consolidação e prova de nossa existência até os dias atuais.

A leitura especial para o Shabat Chol Hamoed de Pessach nos convida à reflexão sobre a intimidade e a elevação espiritual que Moshê Rabenu possuía. É claro que Moshê iria pedir ao Eterno para vê-Lo e Ele o atendeu parcialmente dada às limitações terrenas dos seres humanos. Esta passagem mostra a grandiosidade incomensurável do Eterno diante do homem e até do universo – […] “Eis aqui um lugar junto a mim, e te porás de pé sobre o penhasco, e te protegerei à minha maneira, até que eu tenha passado. E retirarei depois a minha glória, e verás minhas costas, e o meu rosto não será visto” […] – Se imaginarmos os limites da ciência que tenta explicar todos os “fenômenos”, podemos refletir sobre esta passagem e ver que a glória do Eterno é incompreensível aos limites da mente e da visão humana. Ao que parece, o Eterno teve que controlar o Seu poder para que Moshê pudesse desfrutar da tão sonhada proximidade ao Eterno neste nível. O Eterno mostra o Seu amor irrepreensível ao povo e ordena a Moshê refazer as Tábuas da Lei. O Eterno determina todos os passos de Moshê.

A Justiça Divina nos mostra o ensinamento e as consequências de nossos atos, também, de geração em geração, mostra a misericórdia do Eterno para conosco. Esta leitura especial aborda sobre o rompimento total com a idolatria e ordena a celebração da festa dos ázimos – durante sete dias devemos comer Matsá (isto é um mandamento) e na diáspora, segundo nossa Halachá, oito dias; há o sacrifício dos animais para remissão dos pecados. Na época do Templo, todo judeu deveria ir à presença do Eterno três vezes ao ano nas três festas de peregrinação. Por isso estas festas bíblicas são tão importantes para nós. Lembre-se do que foi mencionado sobre nossa memória e prática e história, nosso legado transmitido de geração em geração. Devemos promover tudo isto no seio de nossas famílias e vivência diária para que nunca esqueçamos quem somos e de onde viemos e para onde vamos. Nossa civilização tem uma identidade apesar de nossa diversidade. Nosso cerne está na Torá, o nosso livro mais importante que nos fez crescer como povo e como seres humanos. O Eterno nos guia de diversas formas como nos guiou no deserto com coluna de fogo à noite, e nuvens durante o dia. E mais, escolheu Moshê, um ser humano dotado de simplicidade e grandiosidade ao mesmo tempo para nos guiar e nos ensinar até os dias de hoje e para as gerações futuras como devemos nos relacionar com o Eterno. Por mais que Israel tenha armamento e estratégias de defesa, é o Eterno que nos protege de verdade.

Que possamos exercer a nossa Liberdade e Fé com dignidade, através da festa dos pães ázimos – o Pessach – com Kavaná (intenção do coração), pois nós estivemos na abertura do Mar Vermelho. Mitzraim (Egito) tentou o nosso primeiro genocídio, mas o Eterno não permitiu, na Shoá tentaram o nosso total extermínio, mas o Eterno também não permitiu. O Eterno enviou uma mensagem ao Faraó através de Moshê: “Deixe Meu Povo Ir”. O Faraó teve a oportunidade para decidir pela libertação do nosso povo. Dez pragas assolaram o povo egípcio, sendo a última a morte dos primogênitos egípcios. Nós tivemos que aspergir nos umbrais das portas, sangue de cordeiro sacrificado para que a morte não assolasse o nosso povo. Finalmente o Faraó cedeu, todavia não houve tempo de levedar a massa, então surgiu a Matsá, o símbolo de nossa liberdade…

Pessach tem quatro nomes: Pessach, Chág Zemán Cherutênu, Chag Hamatsót e Chag Haavív.

1 – Pessach vem de passôach (passar por cima). O Eterno separou os bons dos maus. Pessach representa também o cordeiro pascal. Nós temos que abater, renunciar ao modo de viver dos egípcios.

2 – Chág Zemán Cherutênu (a Época da Nossa Libertação) – Êxodo 20:2 – “Eu sou o Eterno, teu D’s, que te tirei da casa do Egito, da casa da servidão”

3 – Chag Hamatsót (Festa dos Pães Ázimos) – mesmo em situações adversas, podemos alcançar a liberdade. O fato da massa não ter tido tempo de levedar, simboliza que podemos decidir pelo melhor em nossas vidas.

4 – Chag Haavív (Festa da Primavera) – ocorreu nesta época, o que representa a esperança de um tempo e uma vida melhor liberto de todas aflições, portanto um “renascimento”.

Que possamos neste momento ímpar, desfrutar de toda a magia que representa esta festa: a nossa liberdade plena, corroborada pelo poder de D’s que nos proporcionou e nos proporciona a vida em todos os seus aspectos, também através da contagem do Ômer desde o segundo dia durante 49 dias, possamos crescer espiritualmente através da reflexão de nossos atos, que possamos também agradecer a possibilidade de comemorarmos tudo isto e que no próximo ano estejamos em Yerushalaim.
Referências:”O mais completo guia sobre o judaismo”; Revista Morashá; “O judaísmo vivo”; “Ser judeu”; “Torá” de Matzliah Melamed.
Shabat Shalom Umevorach ve Chag Pessach Sameach

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