Parashat Shelach Lechá

B’’H

Por Alexandre Santos

Bamidbar 13:1 – 15:41

Temos nessa semana a parashá  Shelach Lechá (Envia para ti). A primeira parte da parashá, vem nos informar a respeito da seleção feita por Moises, por ordem do E’trno…, para que fossem selecionados doze Meraguelim (espiões), sendo esses escolhidos cada qual como príncipes de cada tribo. O objetivo dessa escolha foi uma missão extremamente relevante para o povo judeu, a incumbência de ver e viabilizar (traçar uma estratégia) de “como” conquistar a terra prometida por D´s…

O objetivo dos Meraguelim foi de observar a terra, trazendo cada um o seu juízo de valor sobre as qualidades da terra e, principalmente, de “como” poderiam conquistar toda a terra prometida. A duração da jornada de exploração durou quarenta dias.

O relatório feito no retorno dos Meraguelim; foi de que a terra era fantástica, trazendo provas qualitativas e quantitativas da fertilidade da terra. Porém no que remetia a atitude de “como” herdá-la; com exceção de Caleb e Josué, os outros dez príncipes (espiões) de cada tribo, trouxeram o “será”, colocando dúvidas, falta de fé e conseqüentemente medo para o povo, disseminando um clima de total incerteza e negatividade, fazendo com que o E´tno se irritasse e não mais permitisse, naquele momento, que o povo herdasse a terra prometida, provocando assim uma decisão de castigo, fazendo com que o povo continuasse por mais quarenta anos no deserto, e que morressem toda aquela geração a partir da idade de vinte anos em diante. Esse castigo do povo continuar por mais quarenta anos no deserto, corresponde a um ano por dia que os Meraguelim ficaram observando a terra.

Na segunda parte da parashá, D´s orienta a Moises os procedimentos que deverão ser feitos para as ofertas, no momento em que o povo herdar a terra prometida. Na seqüência dessa segunda parte, D´s instrui Moises falar para o povo confeccionar as Tsittsit (franjas), com o intuito de conectar um vinculo de visão e lembrança para o povo a respeito dos 613 mandamentos, agregando a terceira parte da afirmação da Shemá. E falou o E’tno a Moisés dizendo: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes que façam para eles franjas sobre as bordas de suas vestes, pelas suas gerações; e porão sobre as franjas da borda um cordão azul celeste. E será para vós como franjas, e as vereis e lembrareis todos os mandamentos de E´tno, e os fareis; e não errareis indo atrás de (pensamentos de) vosso coração e atrás (à vista) de vossos olhos, atrás dos quais andais errando. Para que vos lembreis e cumprais todos os Meus preceitos e sejais santos para com vosso D’s. Eu sou o E´tno vosso D´s, que vos tirei da terra do Egito, para ser vosso D’s; Eu sou o Et´no, vosso D´s.”

Shelach Lechá está vinculada com a faculdade da visão humana. Essa parashá também vem nos sugerir reflexão e entendimento, vinculando para uma comparação a análise entre duas palavras, “será” e “como”.
Os espiões que visualizaram somente (o muro) estavam vinculados ao será (dúvidas), e por outro lado Caleb e Josué visualizaram além do muro, ao “como” (alternativas para).
Diante dessa situação podemos também fazer um paralelo com as nossas vidas, pois essa é uma das propostas da Torá, nos ensinar “como” estaremos  extraindo conhecimento, e não “será” que extrairemos conhecimento. A Torá nos traz confiança para as nossas conquistas e desenvolvimentos.
O nosso fator limitador somos nós mesmos, com as nossas visões e fé. Imagina a resposta para essa pergunta:

– Um pai começa a sua jornada de trabalho falando para a sua família, “será que irei conseguir o nosso sustento ou alimento?” ou Como estarei conseguindo o nosso alimento? A escolha entre as alternativas para essas perguntas e muitas outras, podemos encontrar com as experiências vividas através do nosso povo e devidamente registradas na Torá.

Temos que ter em mente que uma palavra pode transformar e pode fazer toda a diferença. O E´tno já sabia o que se encontrava na terra, mas o que E´le queria era que nos “exercitássemos” no tema da visão, para explorarmos a nossa capacidade de ver, e criarmos o nosso entendimento vinculado a sua vontade.

Sugerindo como uma das muitas referências dos nossos sábios, Rashi comenta: – O coração e os olhos são como espiões para o corpo, e eles agem como agentes do corpo para o ato de pecar, o olho vê e o coração deseja.

Mesmo o povo judeu tendo a oportunidade de ver todas aquelas maravilhas acontecendo no deserto, eles não tiveram a capacidade de antes de qualquer coisa, acreditar na conquista da terra prometida, pois estavam vendo tudo atrás dos vossos corações, e atrás de vossos olhos.

Nos momentos finais de Shelach Lechá, o E´tno vem nos confortar instruindo o povo para quando acontecer o momento de herdar a terra, e principalmente sinalizando uma atenção especial no que diz respeito em “como” não devemos olhar para o nosso coração e não seguir o seu aspecto emotivo. O intuito é de não acabar se perdendo no caminho das nossas conquistas, e conseqüentemente desviando o foco dos mandamentos instituídos por E´le.

Com isso D´s ordena como facilitador visual para o povo, objetos, dentre eles as Tsittsit (franjas), Tefilin, Mezuzot, fazendo uma conexão de visão com esses objetos para o povo, como lembrança para D’s, e conseqüentemente criando vínculos com os seus mandamentos…

O israelense Shmuel Yosef Agnon, prêmio Nobel de literatura 1966, escreveu: – Quando alguém falece os judeus rezam o cadish, por que eles se preocupam com a imagem que fica da vida diante do afastamento daquele ser querido.

Que possamos compreender tudo o que representamos para o mundo, mantendo acesa a maior integridade possível da nossa visão para a Torá, e que as nossas múltiplas imagens como povo, possam servir de luz para todos que desejem aprender e viver tudo aquilo o que D´s nos ensina através da sua Torá.

*O comentário dessa parashá é dedicado para a elevação da alma do nosso querido Moises Meyohas Z’’L

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