Parashat Korach

Por Moysés Sadigursky

A Parashá desta semana relata que Korach, filho de Itsar, filho de Kehat, filho de Levy, juntamente com Datan e Abiran filhos de Eliah e On filho de Pelet, os quais eram da tribo de Ruben e mais 250 homens dos filhos de Israel, chefes da congregação, homens de renome se congregaram contra Moises e contra Aarão e disseram-lhes: basta-vos!  Pois toda a congregação, todos eles são santos e entre eles se acha o eterno: e porque vos elevais sobre a congregação do eterno?

E falou Moises a Korach. Acaso é pouco que tenha separado o deus de Israel, para vós o serviço do tabernáculo e para estar diante da congregação para servi-la? E te fez chegar, e a todos os seus irmãos, filhos de Levi, contigo. Procurais também o sacerdócio? E Aarão quem é ele para que vos queixeis contra ele?

E falou o eterno a Moises: fala à congregação que saia dos arredores do tabernáculo de Korach Datan e Abiran. E falou à congregação dizendo: retirai-vos logo de junto das tendas desses homens maus e não toquem em nada que é deles para que não sejam castigados por todos os seus pecados. E ao acabar de falar Moises a terra fendeu-se abaixo deles e tragou-os, e as suas casas e a todos os homens de Korach e a todos os seus bens. E desceram eles e tudo que era deles ao abismo e cobriu-os a terra e desapareceram. E saiu um fogo do eterno e consumiu os duzentos e cinquenta homens.

E queixou-se toda a congregação dos filhos de Israel, no outro dia contra Moises e Aarão dizendo: vós causastes a morte do povo do eterno.

E falou o eterno a Moises dizendo: separai-vos do meio desta congregação e a consumirei em um momento.

E disse Moises a Aarão: toma o incensário e põe nele fogo do altar e põe incenso e leva-o depressa à congregação e faz expiação por eles, porque saiu a ira do senhor e já começou a mortandade. E fez Aarão como falou Moises e parou a mortandade. Os que morreram na praga foram quatorze mil e setecentos além dos que morreram por causa de Korach.

 

Quem foi Korach?

Korach não foi um subversivo ordinário. Ele foi um líder, membro dos Kehatitas, a família mais prestigiosa das famílias levitas.

A diferença entre Korach e Moises foi ideológica levada pelo entendimento da relação do povo de Israel com D’us e pela maneira que ele sentia que a nação deveria ser estruturada. Em primeiro lugar ele declara que toda a congregação é santa e D’us está entre eles. Questiona porque ele (Moises) eleva eles próprios sobre a congregação de D’us.

Moises dividiu o povo de Israel em diversas classes de santidades: israelitas comuns, levitas, Kohanim (sacerdotes) e na ponta da pirâmide o Kohen Gadol (o sacerdote principal).

Os israelis eram os fazendeiros, os comerciantes, os artífices, os soldados e os estadistas de israel. Tinham a existência normal de um homem físico – a vida e a vocação que envolve a carga de tempo e talento de uma pessoa no mundo material.

A tribo dos levitas, entretanto, foi distinguida pelo D’us de Israel, da comunidade de Israel, para estar aproxima a ele para servir como líderes espirituais e sacerdotes, instruindo as suas leis para Jacob e sua torá para israel. Dentro da tribo de Levi, Aaron e seus descendentes foram consagrados como Kohanim e instruídos com o papel principal de servir a D’us no santuário. O próprio Aaron foi indicado como Kohen Gadol, o maior de todos da hierarquia. Korach contestava este elitismo espiritual.

A revolta de Korach contra Moises não foi a única relatada na torá.

A primeira revolta ocorreu quando o povo chegou à beira do mar vermelho e o exército do faraó aproximava com a expectativa de aniquilar o povo.  Moises reza ao eterno que instrui a ele tocar as águas do mar com o seu cajado. O mar vermelho abre o povo passa e quando chega os soldados do faraó o mar volta a fechar.

A segunda ocorre quando chegam ao outro lado do mar e a agua que encontram é amarga (agua dura=agua carregada de sais de cálcio e magnésio) Moises instrui ao povo recolher uma planta abundante na região, amassar e colocar na agua que passa a ser potável. Suponho que a planta usada foi a chamada aloe-vera ou babosa que tem em abundancia na região.

A terceira ocorre quando ficam com fome e queixam-se de Moises que o trouxe para o deserto para morrer de fome. D’us manda então o manah.

A quarta ocorre quando a sede ataca e novamente queixam-se de Moises.  Miriam a irmã de Moises é encarregada de indicar os locais onde agua é encontrada.

A quinta ocorre quando enjoam do manah e o eterno manda codornizes para saciar a fome do povo rebelde.

A sexta ocorre quando Moises sobe ao monte Sinai e demora de voltar. Os rebeldes recolhem ouro e pedem a Aarão para fazer um bezerro de ouro para que adorem como um deus.

Após o episódio dos espiões quando apenas dois deles informaram que a terra era boa e podia ser conquistada, os outros dez informaram que a terra era fortificada e os habitantes eram gigantes e assim sendo teriam dificuldade de conquistá-la. Apesar de Moises ter castigado os dez espiões que falou mal da terra, ele não considerou as informações dos dois que falaram bem da terra, pois, em vez de invadir a terra para conquistar, condenou ao povo vagar por quarenta anos no deserto. Será que alguém ficou satisfeito?

Moises e Korach dois indivíduos inteligentes, duas personalidades distintas.

Moises considerado filho da irmã do faraó, foi criado na corte do faraó como um príncipe. O faraó tinha convicção que era um deus, era chamado de Ra-Mses=filho do deus rá (o sol). A convicção plena na corte era de que o poder era emanado de deus. Somente os filhos de deus poderiam ter o poder de governar.

Moises recebeu ordens do eterno para libertar o povo de Israel da escravidão no Egito e conduzir o povo escolhido para a terra de Canaã. Assim Moises tinha plena convicção de que o seu poder era emanado de deus de quem recebia ordens e orientações. Nenhuma assembleia ou congregação popular poderia destituir o seu poder e nomear um substituto.

Korach tinha uma interpretação diferente. Podemos dizer que Korach foi um precursor dos pensamentos da revolução francesa. Para ele todo o poder emana do povo.

Os reis da França se achavam deuses e o poder que tinham era uma atribuição divina. Robespierre, Marat e Danton, líderes da revolução francesa atribuíam ao povo a emanação do poder. Luís XVI, o rei da França na época da revolução foi guilhotinado e os ideais da revolução serve de base para todas as democracias modernas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s