Parashat Chukat

por Luciano Ariel Gomes

A Parashá desta semana nos relata algo surpreendente. Após os Benê Yisrael terem reclamado da falta de água, Moshé perde a paciência e, ao invés de “falar” à rocha de onde a água deveria jorrar como havia sido orientado por D-us, ele “bate” na mesma. Mesmo não tendo feito como o Eterno ordenara, a água jorra a partir da rocha e sacia a sede do povo.

Como consequência, Moshé e Aharon ouvem que não mais teriam o direito de entrar na Terra de Yisrael. Aharon é incluído aqui, segundo Abarbanel, por ter sua voz unida à de Moshé na frase: “(…) Devemos NÓS retirar água desta rocha?”(Bemidbar 20:10b).  O pronome “Nós” foi entendido por Abarbanel como uma clara indicação de que Moshé e Aharon haviam deixado implícito que “eles” fariam a água jorrar da rocha e não D-us. Este é o episódio das Aguás de Meribá.

A primeira lição que podemos retirar daqui é que a Torá é perfeita em sua justiça. Mesmo Moshé Rabênu, nosso maior líder, não deixou de ser severamente punido pelo erro que cometeu. Obviamente, considerando tudo que ele fez, todas as suas ações positivas, alguém poderia questionar a severidade de sua punição. No entanto, diante do que ele representava, levando em conta o que havia acontecido na Parashá anterior, em que Corach fora punido por seus pecados, será que poderia ser diferente com Moshé? De qualquer forma, o nosso maior Mestre continuou a demonstrar sua grandeza. Moshé não questionou de imediato a decisão do Eterno. Ele levou adiante seus afazeres como líder do povo…”E Moisés enviou mensageiros desde Kadesh ao rei de Edom…” (20:14). Ele sabia que havia errado, e, como líder, seus erros tinham um peso diferente das demais pessoas. Mais tarde, em Devarim 3, Moshé volta ao assunto e pede permissão ao Eterno par entrar na Terra, mas tem seu pedido rejeitado. Claro que ele havia sido perdoado. Seu lugar na história de Yisrael e no coração do povo, assim como o amor do próprio D-us a ele, estavam garantidos. No entanto, ele – Moshé – não poderia escapar às consequências de seu ato.

A segunda lição que aprendemos é que de fato Moshé não é o autor da Torá. Para aqueles que não acreditam sequer que a Torá foi inspirada por D-us, como explicar que houve tão severa punição ao seu suposto autor, afinal, em muitos círculos, o Pentateuco é chamado de “A Lei de Moisés”. Se fosse Moshé o seu autor, não seria mais lógico acreditar que ele deixaria passar o evento e se concentraria mais na “rebeldia” do povo? Ao ser repreendido e punido, percebemos que Moshé estava sob as ordens de alguém maior do que ele mesmo.

As duas lições acima nos levam a uma terceira. O Judaísmo é totalmente avesso à idolatria (Avodá Zará). Moshé foi o nosso maior líder e omaior mestre de nossa história, mas não é o nosso D-us. Podemos admirar muitos rabinos, mas eles não são o nosso D-us. O nosso trabalho não é o nosso D-us, nem, aliás, o nosso dinheiro. Será que não estamos colocando outras coisas, talvez nós mesmos, no lugar de D-us? Por isso, o Judaísmo da Torá não nos ensina sobre termos intermediários. Enquanto estava vivo, nosso querido Moshé servia de mensageiro e instrutor, depois que partiu deste mundo nem mesmo sua sepultura pode ser encontrada. A mensagem não poderia ser mais clara.

Temos a oportunidade de aprender sempre com a Torá. A servirmos ao verdadeiro Bem, que nos foi ensinado por HaKadosh Baruch Hu, O Santo Bendito seja Ele. A “falar” e não a “bater”. A “ouvir” (Shemá), e não a brigar. Que busquemos uma “Shalom” justa em todos os momentos.

Shabat Shalom

Referências

ERETZ ISRAEL IN THE PARASHAH – Moshe D Lichtman – Devora Publishing – Jerusalem -2006

Rabbi Marc D Angel – jewishideas.org

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