Parashat Ki Tissá / Purim

Parashat Ki Tissá / Purim

Por Luciano Ariel Gomes

Ao voltar de um período de 40 dias em que esteve com o Eterno, vivendo a vida dos seres angelicais, aprendendo Torá diretamente da fonte, Moshé se depara com um povo prostrado diante de uma peça de ouro em forma de bezerro. Não dá para imaginar o choque para alguém que havia estado diante das maiores realidades espirituais. Um choque de realidade.

Não é da noite para o dia que se forma uma nação. E não é da noite para o dia que se forma A NAÇÃO que recebera a responsabilidade de ser escolhida para testemunhar a Unicidade do Criador para o mundo. Moshé se vê diante dessa nação fazendo exatamente o contrário. Como pudemos – a primeira pessoa aqui se justifica pelo fato de que todas as almas judias estavam no Sinai, e que somos e sempre seremos, independente de qualquer coisa, uma coletividade – como pudemos nos esquecer das pragas, da coluna de fogo, da travessia do mar, entre outras coisas, e partir para a idolatria pura, sem rodeios, sem máscaras? As consequências foram devastadoras, mas o Altíssimo não desistiu do povo. Moshé intercede e Ele aceita. Afinal, não é da noite para o dia que se forma uma NAÇÃO SAGRADA.

O termo SAGRADO em hebraico (KADOSH) se refere ao inalcançável, por ser sublime, perfeito e livre de corrupção. Sem pretender definir a palavra em toda a sua essência, não a dúvida de que o Eterno é quem realmente merece esse título. Não obstante, a palavra é utilizada para o que é SEPARADO PARA UM PROPÓSITO, e é aqui que o Povo Judeu entra. O mundo não entendeu o que o termo POVO ESCOLHIDO realmente quer dizer, e passou a definí-lo como se pretendéssemos ser melhores do que todos os outros povos. Na verdade, a ESCOLHA se refere à manutenção da Torá e seus valores num mundo que, sem a mesma, não cumpriria o propósito para o qual foi criado. Cabia, e cabe, a nós judeus, estabelecer claramente para aqueles que quisessem aprender, o conceito do MONOTEÍSMO ÉTICO. E sejamos sinceros, apesar de erros indivíduais, e me perdoem a redundância, a contribuição do povo judeu para o mundo é inquestionável, principalmente para os que insistem em ser nossos inimigos. Não é a nossa própria existência, mantendo a mesma essência tri-milenar, conservando e garantindo que os valores éticos da Torá estejam vivos, sem perder nossa identidade, o que mais incomoda os que tentaram nos substituir?

Ou seja, apesar do pedaço de ouro em forma de bezerro, o povo se reergueu para cumprir sua vocação. Outros tropeços vieram ao longo da história, mas, chegamos a um momento atual em que quando judeus se reúnem religiosamente é sempre com o propósito de honrar o Santíssimo Bendito seja Ele (HaKadosh Baruch Hu)! Sempre com Sidurim, diante do Aron HaKodesh, lendo a Torá, voltados para Yerushalaim.

Em outro momento de nossa história, um judeu deu provas de que o povo havia se estabelecido como NAÇÃO SAGRADA com uma clara identidade e com uma clara identificação com sua missão. Seu nome, Mordechai. Sua virtude foi exatamente não se prostrar diante de qualquer poder secular, inclusive daqueles que se propunham estar em posição se poder sobre Israel. Ao não se prostrar diante do amalequita Haman, Mordechai nos ensinou que não há poder que dobre o nosso espírito judaico se assim desejarmos, assim como a Bahia deu ao poeta Gilberto Gil “régua e compasso”, o Eterno nos deu através de sua SANTA TORÁ todas as ferramentos para sermos nós mesmos.

É irônico que a Rainha Ester tenha se escondido atrás de uma máscara para estrategicamente ajudar a salvar a NAÇÃO. Mais uma vez uma mulher, Não esqueçamos que as mulheres se recusaram a doar seus brincos e apetrechos para a confecção do bezerro e os tiveram retirados à força. Na época foi o que Ester pode fazer e, sem isso, não estariamos comemorando Purim. Mas, o resultado foi que todo o POVO pode abertamente se defender e mostrar ao mundo quem são. Sem dúvida, o episódio de Purim foi um dos maiores testemunhos da proteção DIVINA do povo e de sua escolha para divulgar os valores da Torá.

Em nossas comemorações de Purim,Ponhamos nossas máscaras, mas só de brincadeira. Precisamos de judeus comprometidos e que, em qualquer contexto, defendam a Torá e Israel, e assim, mantenham viva a revolucionária ideia do DEUS ÚNICO.

Purim Sameach e Shabat Shalom!

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