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História da comunidade judaica da Bahia

A história dos judeus na Bahia comporta dois momentos distintos: a presença de cristãos-novos no período colonial, e a imigração e formação de uma comunidade judaica moderna no século 20.

A presença de cristãos-novos na Bahia remonta ao início da colonização do Brasil. Alguns sustentam que já na frota de Pedro Álvares Cabral figurava um cristão-novo, Gaspar da Gama. Havia um número significativo de judeus ligados às ciências e às artes da navegação em Portugal durante o período de expansão ultramarina iniciado no século 15 (os judeus foram expulsos do país em 1496, com a possibilidade de permanecerem no país mediante conversão ao cristianismo).

Durante a maior parte do período colonial, esteve ativo no Brasil o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, estabelecido em Portugal em 1536 e que funcionou na metrópole até 1821. A conversão dos povos não-católicos nas Américas (como as culturas indígenas brasileiras e as pré-colombianas) era uma ação central no processo de expansão dos impérios português e espanhol.

Após o primeiro Auto-de-Fé, em 1540 em Portugal, a emigração de cristãos-novos ao Brasil cresceu. Muitos chegaram ao Nordeste, onde tiveram participação no desenvolvimento social, cultural e econômico da região, nos séculos 16 a 18, como senhores de engenho, comerciantes, agricultores, artesãos e outros ofícios. Ao mesmo tempo, enfrentavam restrições para pertencer a ordens religiosas, como as Irmandades de Misericórdia, e às Câmaras Municipais.

O Tribunal da Inquisição não se instalou no Brasil colônia de forma permanente; enviou “visitações”. A partir de 1591-95, estas “visitações” perseguiam o que se considerava práticas “judaizantes”, além de outras não alinhadas ao catolicismo oficial. Entre 1618 e 1619, 134 pessoas foram denunciadas, das quais 90 acusadas de serem judaizantes, os “membros da Nação”. As ações da Inquisição no Brasil foram menos sistemáticas e frequentes do que em Portugal. Ainda assim, muitos fugiram para regiões de colonização espanhola. Foi em 1773, quando Marquês de Pombal era governador-geral do Brasil, que a diferenciação entre cristão-novo e cristão-velho foi abolida, embora a Inquisição tenha vigorado em Portugal até 1821.

As explicações históricas sobre a ação da Inquisição abrangem desde o objetivo de expropriar os bens dos cristãos-novos e impedir sua ascensão social enquanto grupo com aspirações burguesas – o que tinha o apoio da nobreza e do clero – , até razões religiosas, associadas à difusão do império português aliado ao catolicismo. A Inquisição criou e difundiu o mito do “sangue contaminado”, segundo um estatuto de pureza que regia a mobilidade social no período colonial.

Sobre o teor do judaísmo dos cristãos-novos, também existem interpretações diversas: enquanto alguns entendem que os cristãos-novos praticavam furtiva, mas deliberadamente, o judaísmo ou criptojudaismo herdado de seus antepassados, outros colocam ênfase na atuação da Inquisição, orientada a encontrar estas práticas ao ponto de forçar, sob intimidação e tortura, a sua manifestação nos processados. No século 18, a Inquisição condenou cristãos-novos enquanto tais, ou seja, como descendentes de judeus, e não como judaizantes, o que configuraria um antijudaísmo mais definido.

De qualquer forma, não existe relação entre a história dos cristãos-novos no período colonial e a história moderna judaica na Bahia no século 20. Uma não é continuidade da outra, e elas se referem a períodos e movimentos históricos inteiramente distintos.

Os judeus imigraram para Salvador na década de 1920 e formaram uma comunidade organizada e com intensa vitalidade social e cultural: em 1924, uma sinagoga foi instalada em uma casa particular e, em 1925, foi fundada a Escola Israelita Jacob Dinenzon. Nos anos 1930, foi criada a escola Ber Borochov, de orientação sionista.

Foram também criados um cemitério, a Sociedade Beneficente, Wizo, Naamat-Pioneiras e o clube Hebraica. A Sociedade Israelita da Bahia foi fundada em 1947. A comunidade chegou a ter cerca de 800 pessoas e suas atividades incluíam teatro e imprensa.

Ao longo do século 20, pequenos núcleos judaicos também se estabeleceram em Ilhéus, Itabuna, regiões do cacau, e Bonfim, Petrolina, Juazeiro e Jacobina, acompanhando o Rio São Francisco.

O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia básica
Lipiner, Elias. Os judaizantes nas capitanias de cima. São Paulo – estudos sobre os Cristãos-Novos do Brasil nos séculos XVI e XVII, Brasiliense, 1969.
Maio, Marcos Chor Calaça, Carlos “Um balanço da bibliografia sobre anti-semitismo no Brasil”. In: BIB – Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n° 49, p. 15-50, 2000.
Novinsky, Anita. Cristãos-Novos na Bahia. São Paulo, Perspectiva, 1972.
Os judeus na Bahia, Suplemento Especial da revista Shalom, n° 296.
Saraiva, A.J. Inquisição e Cristãos-Novos. Lisboa, Estampa, 1969.
Wiznitzer, Arnold. Os judeus no Brasil colonial, São Paulo, Edusp/Pioneira, 1960.

 

Retirado do site da CONIB

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