Parashat Tazria/Metzorá

Por Luciano Ariel Gomes

Tazria/Metzorá

No início desta semana o povo de Israel, principalmente, mas não apenas, os residentes judeus do Estado de Israel, mais uma vez deram ao mundo um exemplo de civilidade, civismo, senso histórico e de pertencimento. Refiro-me aos dois minutos em que os israelenses pararam para lembrar das vítimas da Shoá. Em minha mente, não há como deixar de dar a esse fato sua devida importância. A Shoá está registrada na alma de cada judeu. Assim como se deu no Sinai, em que afirmamos que a alma de todos os judeus estavam presentes ali, podemos perceber que, como o objetivo final dos nazistas era exterminar o povo judeu, logo, todos os judeus estão ligados a esse fato histórico, inegável e indelével.
A Shoá é a maior mácula da história dos seres humanos sobre este planeta. Não há aqui qualquer intenção de diminuir o sofrimento de outros povos. Muito pelo contrário. O povo judeu sempre demonstrou solidariedade àqueles que estavam em sofrimento. Basta tomarmos como exemplo as etnias que, nos dias atuais, encontraram refúgio em Israel, como reflexo de nossa tradição em acolher o estrangeiro, como determina  a Torá. Não obstante, um programa sistemático de extermínio de um povo, pelo menos que tenhamos notícia, só se deu contra o povo judeu.

A leitura da Torá desta semana é combinada. Tazria e Metzorá. Nesta porção, lemos sobre um espécie de doença de pele que afligia indivíduos que cometiam delitos relacionados à fala contra seu próximo, a notória Lashon HaRá (Lingua Má- Maledicência- Fofoca). Tradicionalmente, o nome dessa doença (“tsara’at”) foi vertido em português como Lepra, apesar de muitos estudiosos afirmarem que não se trata da mesma coisa. Nesta semana, o Cohen (descendente de Aharon)  é orientado sobre como proceder no caso de pessoas com essa enfermidade. A pessoa precisa ser afastada e reexaminada após algum tempo, e aí se decide se a doença permanece ou não,  com novas implicações a partir disso.

Não há como negar que a Shoá só foi possível porque várias pessoas, e não apenas o governo nazista, se dispuseram a entregar os judeus. Professores, médicos, músicos e outros profissionais eram destituídos de seus postos simplesmente por serem judeus. Enquanto isso, a violência por parte da população em geral crescia ao ponto de que se viram à vontade para por fogo e violar residências e estabelecimentos comerciais pertencentes a membros da comunidade judaica. E tudo começou com palavras ditas abertamente ou em segredo, passadas de uma forma sorrateira ou em palestras abertas, estabelecendo falsas acusações contra a população judaica, de forma que as consciências dos agressores não sofriam qualquer perturbação. Sentiam-se totalmente justificados em sua violência.

Como resultado dessa maledicência coletiva, seis milhões de judeus (entre os quais milhões de crianças) foram brutalmente assassinados tendo a grande maioria sido submetida a trabalho escravo em campos de concentração. Ou seja, da maledicência ao assassinato sistemático de milhões. Não surpreende que nossos sábios igualam a maledicência (a destruição da reputação de alguém) ao assassinato.

Esse mal, o antissemitismo, ainda se faz presente no mundo inteiro. Ele é uma verdadeira “lepra” da qual a humanidade precisa se livrar, assim como todas as demais formas de preconceito. Ao não nos esquecermos do que aconteceu ao nosso povo, chamamos a atenção da raça humana a todos os tipos de atrocidades cometidas contra minorias. Por isso, não temos como menos significativos os sofrimentos dos outros, mas temos o dever moral de dar ao que aconteceu ao povo judeu durante a Segunda Grande Guerra a devida importância para que não se repita jamais. Não cumprimos assim com o nosso destino de Nação de Sacerdotes (Cohanim)? Lutando para eliminar essa “lepra”, o antissemitismo, do mundo?

Nesta segunda à noite começa Yom Hatzmaut. É, sem dúvida, o tempo apropriado para celebrar Israel, uma clara vitória contra a lepra do antissemitismo.

Shabat Shalom!

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